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A maior participação de sempre

14º Encontro de MGF do Alto Minho


A 14ª edição do Encontro de Medicina Geral e Familiar do Alto Minho registou um número recorde de inscrições: 290 médicos de família e internos da especialidade de Medicina Geral e Familiar participam nos trabalhos do Encontro, que se prolonga até sábado, dia 1 de Junho, em Vila Nova de Cerveira.

De acordo com Sofia Azevedo, responsável da Delegação Distrital de Viana do Castelo da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), o Encontro do Alto Minho tornou-se uma referência, não só para os médicos de família daquele distrito mas também de muitas outras regiões do país, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Por outro lado, “o facto de termos dado mais espaço à apresentação de comunicações livres, fez com que muitos internos da especialidade viessem até ao Alto Minho apresentar os seus trabalhos, enriquecendo o Encontro”.

Maus-tratos a idosos são “problema médico e social”

No segundo dia de trabalhos do Encontro, as mesas redondas decorreram em simultâneo com a apresentação de comunicações livres e a realização de simpósios. Os grandes temas incidiram sobre “Geriatria em MGF” e “Doenças Respiratórias”.

A primeira destas mesas redondas, moderada por Acácio Pinto, assistente graduado de MGF da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Vila Nova de Cerveira, abordou desde as alterações da marcha, à gestão da doença crónica e à questão dos maus-tratos e negligência nos idosos.


     


De acordo com Liliana Costa, interna de Medicina Interna do Hospital Conde de Bertiandos, da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), neste grupo etário a polimedicação “deve ser evitada sempre que possível, privilegiando o tratamento dos sintomas e das doenças com complicações graves e potencialmente incapacitantes”. Esta atuação deve ser, “sempre que possível, baseada em informação científica credível para este grupo populacional”.

A intervenção de Marisa Loureiro, interna de MGF da UCSP Vila Nova de Cerveira abordou exaustivamente questões relacionadas com as alterações do comportamento nos grandes idosos. Quanto ao fenómeno do abuso físico e psíquico, que as estatísticas mostram ter aumentado 36% em 2011, a interna sublinha tratar-se de “um problema médico e social”.

Além de alertar que os maus-tratos e a negligência neste grupo específico “constituem uma das formas de violência mais ocultas da sociedade”, a jovem médica deixou algumas pistas para detetar estas situações na consulta de MGF. Nomeadamente, “atrasos entre a lesão/doença e a procura de observação médica”, “fraca adesão ao regime médico instituído”, “hematomas, fraturas e abrasões não explicados” ou “despreocupação evidente na higiene e alimentação do idoso”.


     

Marisa Loureiro, que defende o trabalho em equipa multidisciplinar, considera que os médicos de família se encontram numa posição privilegiada para identificar estas situações. Não só observam os idosos na consulta, como são chamados frequentemente ao seu domicílio, o que lhes permite um conhecimento mais aproximado do contexto familiar.

Tabaco: prevenção começa na infância

Mil milhões de mortes até ao final do século XXI provocadas pelo tabaco, foi o número avançado por Roberto Silva, interno de MGF da UCSP Vila Nova de Cerveira, no âmbito do debate sobre doenças respiratórias. De acordo com outros estudos recentes, “90% dos fumadores iniciam o consumo de tabaco antes dos 18 anos” e 60% com menos de 13. Nesse sentido, Roberto Silva – cuja intervenção abrangeu desde a prevalência do consumo aos fatores de risco – alerta para a importância de criar hábitos de saúde desde a mais tenra infância.

Na mesma linha, José Albino Lopes, assistente graduado sénior de Pneumologia do Hospital de Santa Luzia, da ULSAM, adiantou que o tabagismo é responsável por 85 a 90% dos casos de cancro do pulmão. Em Portugal, os dados apontam para 28 casos por cada 100 mil habitantes. O especialista, que documentou a sua apresentação com a discussão de uma série de casos clínicos, admite que a prevenção do tabagismo é a medida mais efetiva para combater os elevados índices de morbilidade e mortalidade associados a este tipo de carcinoma.


     


A discussão sobre esta questão foi notavelmente enriquecida pela apresentação de um vídeo, realizado por Carla Martins e Carlos Santos – internos das USF Mais Saúde e USF Lethes, respetivamente – sobre a oxigenoterapia e aerossoloterapia domiciliária a doentes com neoplasia do pulmão, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e outras patologias respiratórias.

O trabalho insere-se num estudo mais vasto sobre a caraterização dos utentes e das prescrições efetuadas neste domínio. A investigação incidiu inicialmente em utentes das USF Mais Saúde e Lethes, mas o facto de não existirem estudos sobre esta matéria no nosso país fez com que o seu âmbito fosse alargado a mais quatro unidades de saúde do Alto Minho: USF Arquis Nova, UCSP de Caminha, UCSP de Ponte da Barca e USF Uarcos. De acordo com os autores, os resultados definitivos deverão ser apresentados até ao final do ano.

 

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