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Assimetrias regionais exigem reflexão

Estudo sobre HTA nos CSP

Segundo o estudo “A Hipertensão Arterial em Portugal – 2013 – Análise Epidemiológica nos Cuidados de Saúde Primários”, apresentado nas instalações do Infarmed em Lisboa, entre os utentes inscritos nos centros de saúde e com médico de família atribuído, a taxa de prevalência da hipertensão arterial (HTA) situa-se nos 26,9%, sendo mais elevada no sexo feminino (29,5%) do que no sexo masculino (23,9%). Um valor bem mais reduzido do que aquele que fora avançado por outros estudos epidemiológicos realizados no nosso país.

Ainda de acordo com o estudo referido, da responsabilidade da Direção-Geral da Saúde e do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares, apenas cerca de 35% dos hipertensos com mais de 65 anos têm a sua hipertensão arterial controlada. No total, são mais de 2,6 milhões de utentes que utilizam os CSP e que têm HTA, de acordo com a investigação. A mesma comprovou que cerca de metade dos doentes hipertensos em Portugal apresentam perfis lipídicos alterados.

Na perspetiva de Espiga de Macedo, coordenador da investigação, uma das evidências mais significativas retiradas deste levantamento parte das diferenças encontradas ao longo do território nacional, no que respeita ao diagnóstico, tratamento e controlo da HTA, com alguns agrupamentos de centros de saúde (ACES) a revelarem excelentes índices de controlo entre a população hipertensa, enquanto outros manifestam uma incapacidade para exercer tal controlo sobre a maioria dos hipertensos ao seu cuidado: “o relatório mostra-nos elevadas assimetrias regionais no controlo da HTA, o que nos obrigará a muito trabalho no futuro”. O cardiologista aponta, todavia, o caso da Região Norte e do bom controlo de HTA que consegue alcançar (aproximadamente 40% de controlo da doença), ilustrando assim como é possível ter esperança e avançar na direção certa: “se na Região Norte se conseguiu o nível de controlo atual, tenho para mim que não existem razões para que o resto do país não atinja o mesmo patamar”.

Dramática é a situação do ACES Algarve II – Barlavento, descrita pelo coordenador do estudo. No raio de ação daquela entidade, detetou-se uma percentagem de HTA de 46,8%, para uma percentagem de HTA controlada de somente 18,5%. Uma fraca performance à qual não pode ser alheio o facto de que naquele ACES quase metade dos utentes não possuem médico de família atribuído.

Na opinião do presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, convidado a comentar este estudo, “estamos ainda muito aquém do que podemos fazer, em termos de diagnóstico, controlo e tratamento da HTA nos CSP”. O dirigente da APMGF sugeriu que se dê prioridade à inscrição em lista de MF a todos os doentes hipertensos (bem como aos diabéticos, idosos e crianças), mesmo que se vá além da capacidade instalada e com um esforço adicional dos serviços. Ainda na opinião de Rui Nogueira, é também fundamental que os MF e as equipas de saúde possam ir além da HTA, no doente hipertenso: “estes doentes são quase sempre muito mais que hipertensos. Temos de conseguir controlar todos os fatores de risco cardiovascular e fazer uma abordagem muito mais abrangente, porque não raras vezes estes doentes são também obesos, sedentários, diabéticos e até fumadores”. O presidente da APMGF sublinhou também como a ausência de determinados meios nos ACES (que à primeira vista pode parecer insignificante) tem um impacto bem real nos esforços de controlo da HTA: “na minha USF até existe a possibilidade fazer o MAPA, porque adquirimos o software recorrendo a incentivos entretanto recebidos. O problema é que não existem braçadeiras disponíveis em número suficiente”.

Uma dificuldade circunstancial – embora expressiva – que o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, confessou desconhecer, mas para a qual pediu o empenho das estruturas intermédias da Administração da Saúde: “no 5º andar da João Crisóstomo não disponho ainda de um inventário de meios como braçadeiras em falta. Mas existem, de facto, pequenas coisas de baixa tecnologia, como as braçadeiras, com um grande impacto na saúde pública, muito maior do que aquele que assiste a dispositivos avançados e de enorme mediatização. Apelo aos responsáveis pela gestão dos serviços para que reflitam sobre este assunto”.

Leal da Costa relembrou também que Portugal “é ainda um dos maiores consumidores de sal em termos mundiais, o que constitui um problema grave” e com consequências evidentes na prevalência da patologia.

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