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Correia de Campos dá crédito à Associação pela reforma dos CSP

Conferência 30 Anos APMGF


As USF foram criadas, não pelo Governo, mas pelos médicos de família, sem que tivessem sido impregnadas de qualquer corporativismo, afirmou o Prof. António Correia de Campos, na palestra sobre “Cuidados de Saúde Primários – do paradigma doutrinal, ao mito e à realidade”, inserida nas comemorações dos 30 anos da APMGF.

Em 2005, quando arrancou a reforma alicerçada nos conceitos defendidos pela Associação no “Livro Azul”, publicado em 1990, “poucos acreditavam na possibilidade de se transformar o exercício da medicina familiar em centros de saúde, num modelo de verdadeiros cuidados de saúde primários, dispensados a indivíduos e famílias, tendo em conta o contexto económico, social e cultural em que vivem”, acrescentou o antigo titular da pasta da Saúde. 
Correia de Campos admitiu que quando entrou pela segunda vez no Governo, não sabia como escrever a proposta de reforma dos cuidados de saúde primários. Foram as propostas da APMGF levadas ao papel pelo dirigente da Associação, António Branco, que permitiram que a reforma ganhasse corpo.
Embora nem tudo tenha corrido bem, há várias decisões de que não se arrepende: “ ter confiado nas equipas que travaram a batalha e de não me ter envolvido nas suas naturais disputas internas”; “ter adotado, desde o início, a prática racionalizante de estudar o impacto económico da reforma realizada, embora tenha pecado por escassa divulgação dos estudos de impacto realizados e que tão úteis foram para convencer os meus colegas de governo”.
 
APMGF continuará a marcar a agenda política dos CSP
 
O percurso evolutivo dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal “está embebido na história da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Desde 1983 que a APMGF trabalha continuamente os aspetos práticos e conceptuais da organização e desenvolvimento dos CSP”, afirmou João Sequeira Carlos, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), no âmbito da palestra proferida pelo Professor Correia de Campos e inserida no ciclo de Conferências dos 30 anos da APMGF. “Contribuímos para a dignificação do ato médico e para a afirmação da Medicina Geral e Familiar em Portugal e no mundo. Estamos conscientes da importância do papel da Associação e sabemos que a marca indelével deixada no SNS é por todos reconhecida. Ao longo deste percurso, a Associação elevou-se como organização sólida e influente, que soube edificar um corpo de conhecimento inspirador da estratégia de estado para a reorganização dos Cuidados de Saúde Primários”, declarou nesta iniciativa o presidente da APMGF.

     

Com 30 anos de vida, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar “mantém firmes as suas convicções e inabalável a sua determinação em defender sempre os princípios que regem a especialidade, oferecendo à população uma Medicina de qualidade e inovação, com acesso universal aos cuidados de saúde”, prosseguiu o dirigente.

Para João Sequeira Carlos, torna-se evidente que a Medicina Geral e Familiar “alcançou em Portugal uma imagem de credibilidade no sistema de saúde e de confiança junto da população. Ter médico de família é uma necessidade sentida e os CSP estão hoje centrados em unidades funcionais de proximidade, numa lógica de serviço às comunidades onde estão inseridas”.
Durante a sua alocução,  defendeu que “os cuidados de proximidade são a melhor resposta para as necessidades de saúde da população do século XXI, mormente nos tempos de grande complexidade sócio-económica em que vivemos. Haja coragem para um investimento real nesta área, deixando estes pressupostos o plano teórico de programas de sucessivos governos, para passar a ser uma estratégia de estado transgeracional. Mais do que nunca, são os CSP a garantia de sustentabilidade dos sistemas de saúde modernos. Estamos convictos de que nestes pressupostos se reveem todos os colegas e intervenientes no setor da saúde”.
“A APMGF continuará a marcar a agenda política dos CSP”, garantiu aquele dirigente, acrescentando ainda que “a Associação sempre foi e continuará a ser uma associação de projeto, inquieta e visionária. O empenho e compromisso dos sócios permitiu constituir uma rede colaborativa de produção e gestão de conhecimento, que é o maior património da APMGF”.
Recordando o trabalho feito nas delegações regionais, pelos núcleos, nos departamentos internos e por todos os colaboradores da APMGF, João Sequeira Carlos salientou que a casa de todos os médicos de família “evolui como organização em aprendizagem e torna-se mais robusta nos seus fins e atributos. Assim, temos a certeza de contribuir para a saúde da nossa população”.
O agradecimento do presidente da Associação estendeu-se ainda a “todos os sócios e aos colegas que colaboraram e colaboram com a APMGF. Obrigado também a todos os interlocutores que cooperam com a APMGF em representação das instituições com que temos parcerias. Continuamos a contar convosco!”.

     

Por último e de acordo com João Sequeira Carlos, a vitalidade da Associação é também afirmada “pela vontade de continuar a colocar Portugal no mappa mundi da Medicina Geral e Familiar, honrando a determinação dos seus fundadores. Sabemos que a inovação da especialidade e o consequente impacto nos sistemas de saúde modernos será mais sólida e estruturante se for construída com uma visão global que nos leve para lá das nossas fronteiras. Por este motivo, vamos acolher em 2014 a WONCA Europa, trazendo a Portugal colegas de todo o mundo para revelar os novos rumos de uma MGF com futuro”.

A concluir, o dirigente vaticinou: “a APMGF tem 30 anos de vida e tem vida para pelo menos mais 30 anos de história!”.
 
A Medicina Familiar e os CSP são a razão de ser da APMGF e o objeto da luta dos MF
 
Mário Moura, presidente honorário da APMGF, apesar de não poder estar presente na conferência, enviou uma mensagem a todos os médicos de família. Uma curta mas incisiva nota, lida por João Sequeira Carlos. Recordando as batalhas travadas nos últimos 20 anos, pela creditação da Medicina Geral e dos CSP no meio médico e no país, o decano da APMGF salientou que “vencemos, temos o SNS e a Medicina Familiar no terreno e em progresso”.
Sublinhou, contudo, a circunstância de o país atravessar um momento de crise e de a APMGF (apesar de possuir fortes convicções, objetivos, valores e criatividade) ter o dever de pensar a sua “sobrevivência como associação de classe, numa crise globalizada económico-financeira, social, ideológica e até ética”.

     

Para o histórico presidente da APMGF, a defesa da Medicina de Família e dos cuidados de saúde primários deve tornar-se a principal razão de ser da Associação e o objeto da  luta de todos os médicos de família: “nos anos em que vivemos e nos que se adivinham, mesmo que haja o propósito de desmantelar o chamado Estado Social, o Serviço Nacional de Saúde tem raízes fortes na nossa sociedade e não pode morrer…e conta com o vosso esforço , não só para sobreviver, mas para continuar a sua caminhada na luta pela saúde dos portugueses”.

 
Líderes históricos reveem-se na APMGF de hoje
 
Nesta ocasião feliz para a APMGF, o ex-presidente Luís Pisco deixou um testemunho sentido acerca da importância da Associação para o seu percurso individual: “tenho um grande orgulho no meu passado associativo e a APMGF é como uma segunda família para mim. Aprendi muito com as pessoas que lá encontrei, colegas como o Dr. Mário Moura ou o Dr. Vítor Ramos (…) A APMGF é , sem dúvida, uma grande escola de dirigentes”. O atual vice-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo frisou, também, o seu contentamento por o futuro estar assegurado: “Temos, hoje em dia, uma nova geração para seguir os nossos passos, muito bem preparada. É necessário que a APMGF encontre as bandeiras certas sob as quais a possa reunir”.
Também Eduardo Mendes, que assumiu a presidência da Associação no final da primeira década do século XXI, deu nota do espírito de enorme dinamismo característico da APMGF e que contagia quem dela faz parte: “a minha participação na Associação foi vivida com muita paixão e empenho (…) Durante esses anos e com o trabalho de muitos, conseguimos obter o prestígio  que atualmente é reconhecido à APMGF.  No presente, continuamos a ter uma associação assente em princípios, conceitos e valores que enquadram o exercício da Medicina Familiar, naquilo que é o SNS”.
 

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