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Curso Cuidados Paliativos visa dar “a formação básica que todos os MF devem possuir”

Edição de Outono da Escola de Medicina Familiar

O curso Cuidados Paliativos é uma das sete ações de formação programadas para a edição de Outono da Escola de Medicina Familiar, promovida pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, entre 19 e 22 de novembro, em Peniche. Cristina Galvão (coordenadora científica do curso, em conjunto com Rita Abril) defende que todos os médicos de família deverão ter formação básica para realizar ações paliativas, ou seja, intervenções pontuais no sofrimento da pessoa em fim de vida ou com doença em fase avançada, mesmo sem estarem enquadrados numa equipa de cuidados paliativos.

O curso de Cuidados Paliativos, que conta com a presença de Cristina Galvão, coordenadora da Equipa Comunitária de Suporte em Cuidados Paliativos Beja +, Rita Abril, da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, e da enfermeira Catarina Pazes (também da equipa Beja +), tem o objetivo de proporcionar aos médicos de família conhecimentos básicos sobre como lidar com doentes (e famílias) em fase avançada e intenso sofrimento.

Na perspetiva de Cristina Galvão, “enquanto médicos de família somos pessoas privilegiadas para lidar com estas situações porque temos, todos nós, muitos casos, ao longo do nosso tempo de serviço e nas nossas listas de utentes”.

Para além de todos aqueles que podem ser considerados como doentes em fase avançada – nomeadamente, com cancro – há muitas outras situações que beneficiam com esta abordagem. Por exemplo, os doentes com demência, uma doença cada vez mais prevalente e com tendência para aumentar nas próximas décadas, em função do envelhecimento populacional, pessoas com doenças neurológicas incuráveis, doentes com insuficiência de órgão ou até pessoas com diabetes em fase muito avançada. “Todos estes doentes beneficiam de uma abordagem paliativa”, afirma Cristina Galvão. “Não necessariamente do apoio de uma equipa de cuidados paliativos, mas de uma abordagem paliativa que vise a melhoria da qualidade de vida que garanta os cuidados adequados a quem tem uma situação de sofrimento intenso.

O médico de família “que conhece os doentes e as famílias e os acompanha ao longo do seu processo de vida, não deve deixar de os acompanhar na fase mais final da vida, que pode representar meses ou até anos, como é o caso, por exemplo, dos doentes com demência”. Neste âmbito, o curso visa proporcionar aos MF e internos da especialidade de Medicina Geral e Familiar “conhecimentos básicos que qualquer médico e enfermeiro deverá ter”. Aliás, recorde-se que a própria Organização Mundial da Saúde publicou, no início deste ano, um importante documento – “Palliative Care Resolution” – no qual defende a necessidade de todos os países fortalecerem os cuidados paliativos, enquanto componente fundamental de cuidados de saúde integrados ao longo da trajetória de doença e de intensificarem a formação dos profissionais de saúde.

Todos os médicos de família têm capacidade para realizar ações paliativas

Nesta área, a primeira dificuldade dos médicos de família prende-se, na perspetiva da mestre Cristina Galvão, “com a identificação dos casos que podem beneficiar de uma abordagem paliativa e não de um investimento curativo”. A médica de família sublinha que este último tipo de abordagem, com a realização, por exemplo, de exames complementares desnecessários que não vão alterar a terapêutica, pode aumentar o sofrimento do doente e da família e, no caso de doentes que não vivem nos locais onde esses exames são realizados, obrigá-los a percorrer muitos quilómetros de carro ou de ambulância. Cristina Galvão faz notar que o encarniçamento terapêutico e da investigação clínica nestas situações, é classificado como má prática pelo Código de Ética da Ordem dos Médicos.

A abordagem dos sintomas nas fases finais da vida representa outro problema. Contudo, “os médicos de família têm capacidade e meios ao seu alcance para abordar os sintomas mais frequentes, desde que possuam o conhecimento necessário para o fazer”.

Na perspetiva de Cristina Galvão, “nem todos têm capacidade para fazer cuidados paliativos, estruturados e prestados por uma equipa diferenciada, mas todos deverão ter competência para realizar ações paliativas, ou seja, intervenções pontuais no sofrimento da pessoa em fim de vida ou com doença em fase avançada, mesmo não trabalhando numa equipa de cuidados paliativos, assim como saberem quando deverão referenciar o doente para uma equipa diferenciada”.

Recorde-se que, para além desta ação de formação em Cuidados Paliativos, com uma capacidade máxima de 30 formandos, a Escola de Outono da APMGF disponibiliza, nesta edição, mais seis cursos: “Urgências pediátricas”, “Aconselhamento em cuidados de saúde primários”, “Comunicação na consulta de MGF”, “Reumatologia em Medicina Geral e Familiar”, “Doenças Respiratórias” e “Campo de treino: leitura crítica de artigos científicos”.

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