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Do cenário idílico (na vontade) ao desastroso (na realidade)

Debate Sistemas de Informação – Ameaças e Oportunidades

Quem assistiu ao debate sobre Sistemas de Informação em Saúde, suas ameaças e oportunidades, organizado no âmbito do 31º Encontro Nacional de MGF e moderado pelo tesoureiro da Direção Nacional da APMGF, Alexandre Gouveia, poderá ter ficado um tudo-nada confuso, tal foi a diferença entre comunicações sistematizadas e apresentadas pelos dois oradores, Diogo Reis (coordenador de Sistemas de Informação para os CSP e Hospitais dos Serviços Partilhados no Ministério da Saúde – SPMS) e João Rodrigues (coordenador da USF Serra da Lousã e membro do Conselho Nacional da FNAM). As palavras do primeiro assomaram otimistas e centradas num futuro em que a evolução dos sistemas de informação (SI), preparada pela SPMS, autonomizam profissionais e utentes, agilizam a partilha de informação clínica e democratizam a mobilidade. Muito graças à nova Plataforma de Dados da Saúde (PDS).
 
Já João Rodrigues expôs sobretudo o ponto de vista do utilizador comum dos SI nas USF ou UCSP, que se confronta hoje quase diariamente com problemas. Limitações que vão desde a incapacidade para dar uma resposta atempada ao utente por causa das debilidades da rede informática da saúde (que peca pela extrema lentidão e obriga alguns profissionais a aguardarem horas, para emitir duas mãos cheias de receitas), até à perplexidade face à inexistência de verdadeira interoperacionalidade entre as diversas aplicações que são atualmente usadas nos CSP.
 
Diogo Reis revelou, nesta sessão, que acredita que a PDS será um verdadeiro instrumento de reforço e democratização da mobilidade do utente e que “a ideia do projeto não era a de criar algo de novo por criar, mas sim uma admissão clara de que os sistemas anteriormente não acompanhavam a mobilidade das pessoas no terreno (…) Este projeto tem apenas dois anos e à luz de outros projetos similares empreendidos no setor, é ainda um menino. Tem tudo para crescer”.

                                                  

De recordar que a PDS alimenta quatro portais, orientados para quatro tipos diferentes de agente: portal do utente, portal dos profissionais, portal para acessos a partir da esfera internacional e portal para organismos centrais.

A plataforma conta, neste momento, com 886 mil utentes inscritos e já acumula 38 mil acessos realizados por profissionais. Um total de 597 instituições já disponibiliza dados através da mesma. “O portal do utente atingiu os 5300 acessos diários, em média, assim como um volume de 1700 consultas já solicitadas on-line. Tudo isto nos dá a nítida sensação de que há aqui potencial e que as pessoas percebem a mais-valia do projeto”, assegurou Diogo Reis.
 
Afinal, nem tudo são rosas
 
De acordo com João Rodrigues, os sucessivos governos têm de assumir a responsabilidade por tudo aquilo que foi mal feito (ou que ficou por fazer) no campo dos SI em Saúde. E nem as boas intenções e estratégias agora gizadas através da PDS salvam o barco ou permitem, sequer, recuperar o tempo perdido: “não é a PDS que está mal, é o facto de chegar com 10 anos de atraso”. Este dirigente da FNAM recorda que nos CSP portugueses existe “uma fraca ou nula interoperacionalidade entre aplicações” e uma rede infraestrutural de comunicação de dados obsoleta. Outro dilema identificado por João Rodrigues é a desmultiplicação de bases de dados no setor da saúde, algo que torna a compilação e cruzamento de dados tarefas quase infernais e, sem dúvida, morosas: “já contamos com mais de 400 bases de dados diferentes. Seria importante termos uma gestão de bases de dados em tempo útil. Devemos partir para um processo de fusão de bases de dados. Não sei como isso pode acontecer, nem me interessa saber, porque não sou informático. Quero é que aconteça, simplesmente”.
 
Em paralelo, o coordenador da USF Serra da Lousã alertou para a circunstância de existirem “rumores de que a segurança e confiabilidade da PDS apresentam alguma precariedade” e exigiu uma explicitação de posições por parte do MS, relativamente ao papel que exerce em todo o domínio dos sistemas de informação clínicos: “o MS tem de clarificar qual é a sua missão: a de regulador, ou a de software house”.
 
Por fim, João Rodrigues deixou bem patente que o aperfeiçoamento das capacidades da rede infraestrutural de comunicação de dados em Saúde é um, desígnio nacional, que merece atenção imediata. Apresentou, até, uma proposta em jeito caricatural: “temos de arranjar uma solução para melhorar a largura de banda, nem que tenhamos de a roubar os bancos”.

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