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Duas centenas de profissionais reunidos em Paredes de Coura

18º Encontro de MGF do Alto Minho

A 18ª edição do Encontro de Medicina Geral e Familiar (MGF) do Alto Minho, organizada no Centro Cultural de Paredes de Coura (entre os dias 1 e 3 de junho) pela Delegação Distrital de Viana do Castelo da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) – com a colaboração do Centro de Saúde de Paredes de Coura e da Direção do Internato Ricardo Jorge, além do apoio da autarquia local – foi um evidente sucesso e reuniu cerca de 200 participantes. “Nos últimos anos temos contado com um total de participações a rondar as duas centenas de pessoas e este ano conseguimos manter a mesma fasquia. O que é excelente, dado que o local escolhido (Paredes de Coura) tem uma acessibilidade um pouco mais difícil e está situado no coração do Alto Minho”, avança Sofia Azevedo, delegada distrital da APMGF em Viana do Castelo.

Ficou assim demonstrada a fidelidade dos médicos de família da região (e não só) a este evento científico, que ano após ano consegue atrair de novo quem nele já tomou parte no passado.

Do vasto programa da iniciativa, que cobriu áreas como as doenças urológicas, as novidades ao nível da HTA ou os desafios da menopausa, a dirigente da APMGF começa por destacar o debate em torno dos problemas da adolescência: “foi uma mesa muito participada e bastante interessante. Abordaram-se algumas questões relativas à comunicação com os adolescentes e as dificuldades que sentimos em consulta para dialogar com estes utentes. Muitas destas dificuldades acabaram por ser desmistificadas pelos membros na mesa. Julgo que as pessoas levaram para casa a mensagem de que a adolescência não é o grande obstáculo que por vezes se pensa que é, desde que saibamos comunicar eficientemente com os jovens, os possamos cativar e inspirar neles a confiança no seu médico de família”.

Também a mesa “Sexualidade e as diferentes fases da vida” despertou a atenção dos congressistas, como refere Sofia Azevedo: “trata-se de uma área que continua a ser muito negligenciada na formação dos médicos de família (MF). Os internos e recém-especialistas confirmam-nos de que se trata de um assunto pouco analisado ao nível do ensino pré-graduado e pós-graduado. Isto surge associado a uma série de preconceitos que nasceram na nossa sociedade e que tornam complexa a abordagem do tema em consulta. Durante o debate, acabaram por emergir questões muito pertinentes ligadas à transexualidade e à discordância de género, por exemplo. Neste contexto, parece-me que nós, MF, temos poucas ferramentas e sabemos muito pouco como orientar estas situações”. Também a sexualidade nos idosos foi aflorada nesta mesa, um campo claramente descurado, na medida em que persiste a ideia na sociedade portuguesa de que, de alguma forma, os idosos são assexuais, “o que contribui para que os próprios serviços de apoio à terceira idade sejam organizados sem levar em conta esta componente”, alerta Sofia Azevedo.

Ainda no âmbito da terceira idade, destaque para a conferência de abertura do evento, construída em torno da temática da saúde mental do idoso. Segundo a delegada distrital de Viana do Castelo da APMGF, este foi um marco importante da iniciativa: “contámos com a colaboração da Dr.ª Paula Pina, psiquiatra da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), que nos trouxe uma experiência muito interessante realizada no terreno, centrada na intervenção ao nível da saúde mental dos idosos e que nos mostrou o que significa trabalhar na comunidade e em colaboração próxima com os médicos de família, as famílias e os doentes, no seu ambiente natural. Ficou claro, após esta mesa, que em sede de equipa multidisciplinar devemos tentar compreender a pessoa no seu espaço muito particular e encontrarmos estratégias de apoio e colaboração dentro da própria comunidade”.

No fecho do evento ficou não só o sentimento de dever cumprido (face ao materializar de uma formação diversificada e de elevada qualidade), como também a promessa de que o Encontro estará de volta em 2018. Tudo o indica que em Valença do Minho, dando sequência a uma aposta de longa data na rotatividade entre concelhos do Alto Minho.

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