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Espírito de equipa marca arranque do evento

13º ENIJMF

Começou hoje, na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, o 13º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família (ENIJMF). Na cerimónia de abertura, João Sequeira Carlos, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), recordou as palavras do decano da Associação, Mário Moura, no sentido de que “os jovens médicos de família são flores que vão dar frutos. Mas, para isso, terão de viver com paixão a profissão”. Prosseguindo com um discurso motivador, João Sequeira Carlos acrescentou que “é nas nossas consultas que a nossa vida ganha sentido em todas as suas dimensões”. Em cada momento de interação com os pacientes “contribuímos para fortalecer a Medicina Geral e Familiar”. 

Na sua perspetiva, os médicos de família fazem a diferença “porque ouvimos os nossos pacientes e comprometemo-nos em lhes ser úteis, centramos no paciente e nas famílias as nossas decisões e baseamos os nossos planos de cuidados em conhecimentos atuais e robustos, oferecendo a quem nos procura a solução mais equilibrada para o melhor benefício na saúde e na doença”. Dessa forma, “devemos sempre defender os princípios da Medicina Geral e Familiar contrariando medidas que tendem a descaraterizar a nossa especialidade e deteriorar a qualidade dos cuidados de saúde primários”. Só mantendo a paixão, será possível “resistir aos embates de quem atenta contra o exercício pleno da nossa especialidade”, concluiu.

Por seu turno, Luís Pisco, vice-presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, recordou as mudanças que estão a ocorrer nos sistemas de saúde a nível internacional, frisando que, provavelmente, as duas principais caraterísticas dos futuros médicos de família serão “a resiliência e a flexibilidade necessária para enfrentarem novos desafios”.
 
Inovação e espírito de descoberta
 
O 13ºEncontro contou igualmente, e de forma excecional, com a presença do presidente da WONCA Europa, Job Metsemakers. Curiosamente, foi também no Estoril que decorreu, há 20 anos, uma Spring Meeting conjunta da WONCA Mundial com a SIMG – Sociedade Internacional de Medicina Geral. Como recordou Job Metsemakers, em Maio de 1994 foram dados passos importantes hoje reconhecidos como essenciais à fundação da WONCA Europa no ano seguinte.
Igualmente interessante é o facto do Movimento Vasco da Gama (VdGM), na criação do qual a APMGF teve um papel essencial, celebrar este ano o seu décimo aniversário. Na perspetiva do presidente da WONCA Europa, o explorador português simboliza a inovação e o espírito de descoberta que caracteriza a Medicina Geral e Familiar do futuro.
Também o Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família, tem este ano um desenho completamente inovador, como recordou a presidente do Encontro, Susana Medeiros. Sem deixar de cuidar dos aspetos socioprofissionais que estão particularmente presentes nos debates, a organização do Encontro promoveu um programa técnico-científico muito abrangente. Durante os dois dias, vão suceder-se os workshop sobre questões clínicas frequentes do dia a dia dos médicos de família e outros temas de igual atualidade, como o burnout ou o trabalho em equipa.
 
Emoções positivas também se treinam
 
Foi justamente a equipa que esteve em foco na conferência inaugural do 13º Encontro, a cargo de Jorge Araújo, presidente da Team Work Consultores (empresa especializada no treino comportamental de pessoas e equipas) e ex-treinador de equipas desportivas de alto rendimento. Numa intervenção mobilizadora e surpreendente sobre atitudes positivas no contexto da Medicina Geral e Familiar, Jorge Araújo abordou os aspetos essenciais para o sucesso de qualquer grupo de trabalho, tais como a mobilização para objetivos comuns e a estruturação ideal da mudança. Autor de várias obras sobre liderança, trabalho em equipa, motivação e superação, o especialista defendeu a necessidade de os médicos de família adotarem atitudes positivas, na medida em que as emoções transmitem-se facilmente e têm um impacto muito real nas atitudes das pessoas face à própria doença.
E esclareceu alguns pontos importantes. Por exemplo, que gerir e liderar não é a mesma coisa, na medida em que a gestão é racional e a liderança emocional. Ou que ser emocionalmente positivo e mobilizador na relação com os outros é algo que pode ser treinado até se tornar um hábito. 

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