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Estrutura do Internato e métodos de avaliação em debate

13º ENIJMF

A estrutura do 4º ano do Internato e os métodos de avaliação são os temas fortes dos debates propostos pela comissão organizadora do 13º Encontro, a par da discussão de uma grande diversidade de aspetos técnico-científicos com especial relevância na prática clínica. O contacto entre internos e jovens especialistas de todos os pontos do país, reunidos num só espaço para apresentar os seus trabalhos, trocar experiências e debater ideias, é outra das grandes marcas do Encontro. Permite não só a divulgação do conhecimento científico, mas também a criação de redes de contacto que poderão servir de base ao desenvolvimento de novos projetos.

A comissão responsável pela organização do 13º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família, que irá ter lugar na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, entre 24 e 25 de outubro, garante um evento especialmente dinâmico e diversificado. Presidido por Susana Medeiros, diretora do Departamento de Internos e Jovens Médicos de Família da APMGF, o Encontro vai focar “múltiplos aspetos técnico-científicos e socioprofissionais relacionados com o Internato e o início da atividade assistencial que, ao mesmo tempo, são transversais a toda a vivência dos médicos de família”.

A comissão – constituída por Susana Medeiros, Henrique Correia, Miguel Pereira, Paula Oliveira, Paulo Faria de Sousa, Teresa Pascoal e Vítor Cardoso – visa envolver os internos no Encontro, “através de uma participação ativa, não só pela possibilidade de apresentação de trabalhos mas também através da criação de espaços de debate e workshop, mais pequenos e interativos”. Promovendo o convívio, a prática clínica e a reflexão, Susana Medeiros considera que o Encontro “tem todos os ingredientes necessários para o enriquecimento pessoal e profissional dos internos e jovens médicos de família”.

Estruturação e avaliação do Internato prometem acesa discussão

A presidente do Encontro chamou a si a responsabilidade de organizar dois grandes espaços de debate sobre “Métodos de avaliação em MGF – o que está validado e o que é realizado” e sobre o 4º ano da especialidade. O primeiro procurará “explanar metodologias de avaliação estudadas e validadas em adultos, contrapondo com o que é feito na avaliação ao longo do Internato e mesmo ao nível do exame de saída, a par da discussão da nova forma de avaliação que está a ser implementada na Coordenação do Internato da Zona Sul”.

Já na discussão sobre o 4º ano da especialidade “irá ser apresentado não só o formato usual, mas também uma experiência piloto desenvolvida em Setúbal”. O objetivo é discutir “as vantagens e desvantagens de ambos os modelos”. Quer num caso, quer noutro, “trata-se de reflexões que têm diretamente a ver com o Internato, na sua estruturação e na forma como é avaliado, aspetos cuja discussão se deve manter aberta e acesa”.

O programa do Encontro inclui ainda um terceiro debate, desta feita organizado por Paulo Faria de Sousa, que irá abordar a questão do erro médico. Trata-se de “uma oportunidade para olharmos para os principais erros que ocorrem na MGF, muitos por nós já conhecidos, mas principalmente aqueles dos quais não nos apercebemos”. O objetivo é “repensarmos a nossa forma de ver o «erro» e, acima de tudo, dar a iniciativa às fileiras mais jovens da Medicina Geral e Familiar, com a sua ambição e vontade de melhorar, de se tornarem agentes de mudança dentro das suas unidades de saúde”.

Workshop são veículo de aprendizagem e atualização

A organização do 13º Encontro pretende que os workshop constituam uma oportunidade para esclarecer questões relacionadas com a prática clínica diária, assim como para a aquisição de conhecimentos técnicos que permitam oferecer cuidados mais completos aos utentes que procuram os CSP.

Da lista de workshop – incluídos entre uma vasta gama de debates, tertúlias e comunicações livres – destaca-se a questão da prevenção do burnout nos internos e jovens médicos de família. “A altura de maior incidência é no final do Internato e início da atividade como assistentes de MGF. Como tal, é crucial essa consciencialização e o desenvolvimento de estratégias de prevenção”, explica Susana Medeiros.

Também a ação formativa sobre “Deontologia médica – questões frequentes, questões ignoradas”, organizada por Miguel Pereira, visa fornecer uma visão atualizada sobre esta matéria.

A “Interpretação de espirometrias” é outra temática com grande impacto na prática clínica. Realizado pelo GRESP, “uma equipa que já nos habituou à qualidade das suas formações”, o workshop “é do maior interesse para os internos e jovens médicos de família, na medida em que as patologias respiratórias são cada vez mais frequentes, parecendo ainda haver algum desconhecimento sobre esta área”, sublinha Vítor Cardoso.

Essas mesmas dificuldades, quer em termos do ensino pré-graduado, quer pós-graduado, registam-se ao nível de questões relacionadas com as “disfunções sexuais”, ou as “burocracias em CIT, atestados, notificação de reações, DDO…”. Da responsabilidade de Teresa Pascoal, estes workshop pretendem “esclarecer as dúvidas do dia-a-dia dos internos e jovens médicos de família” no que diz respeito à abordagem na consulta, tratamento e referenciação ou, no segundo caso, ao seu enquadramento legal.

Momentos de reflexão entre CSP e cuidados secundários

Na mesma linha, Paula Oliveira, que está a organizar os workshop “Vacinas extra-plano de vacinação em idade pediátrica” e “Novos anticoagulantes orais – gestão na prática clínica”, pretende que ambos constituam “momentos dinâmicos de reflexão e debate”. O primeiro irá contar com a participação de médicos pediatras do Hospital de Sta. Maria, membros da Sociedade de Infeciologia Pediátrica (SIP) e da Comissão de Vacinas da SIP – SPP. Já no que diz respeito ao workshop sobre anticoagulantes orais, “a visão dos cuidados de saúde primários será dada por médicos de família pertencentes ao Núcleo de Doenças Cardiovasculares da APMGF”, enquanto que a perspetiva dos cuidados de saúde secundários “estará a cargo de médicos internistas, responsáveis pela consulta de hipocoagulação”.

A extensa oferta técnico-científica do Encontro inclui ainda um workshop sobre “Síndrome de dor miofascial”, no qual “pretendemos dar uma ferramenta muito específica, para um problema concreto, deste modo permitindo o tratamento pelo próprio médico e melhorando a qualidade de vida do utente”, diz o responsável pela sua organização, Paulo Faria de Sousa.

Noutra vertente, com o workshop “Medicina narrativa – estabelecer pontes para empatia com doentes difíceis”, pretende-se “alargar os horizontes e, através desta forma de ver e de praticar Medicina, dar ferramentas para aumentar a empatia com alguns doentes, que muitas vezes são difíceis de alcançar, tornando o nosso trabalho não só mais fácil, mas acima de tudo mais compensador em termos de realização pessoal”. Paulo Faria de Sousa explica que “a forte componente técnico-científica adotada este ano pelo Encontro oferece várias oportunidades de melhorar conhecimentos e procedimentos específicos, contribuindo de forma incisiva na formação e crescimento científico dos participantes. Por outro lado, decidimos também abordar temáticas menos comuns, ainda que não de menor importância, que são oportunidades de exposição ao desconhecido e, consequentemente, de evolução”.

Ponte de contacto para projetos futuros

O amplo programa do 13º Encontro integra, por último, um workshop sobre “Abordagem de Úlceras dos Membros Inferiores”. Responsável pela sua organização, Henrique Correia assinala que a abordagem desta patologia implica a realização de “um bom diagnóstico diferencial, sendo que existem diversas técnicas de avaliação e de tratamento que poderão ser aplicadas nos cuidados de saúde primários”. Pretende-se, assim, que este workshop constitua uma “oportunidade para a aquisição de conhecimentos técnico-práticos, assim como para o esclarecimento das questões mais frequentes com que os profissionais se deparam na consulta”.

Na sua globalidade, Henrique Correia considera que uma das mais-valias do 13º Encontro consiste na possibilidade de “contactar com internos e jovens especialistas de vários pontos do país, que estarão reunidos num só espaço para apresentar os seus trabalhos, trocar experiências e debater ideias”. Este intercâmbio e convívio “permite não só a divulgação de conhecimento técnico-científico, mas também a criação de redes de contacto que poderão servir como base à criação de novos projetos”, o que representará, certamente, “uma fonte de motivação suplementar na prática clínica desta especialidade tão dinâmica e interessante que é a MGF”.

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