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Evento reuniu uma centena de especialistas e internos de MGF

XVI Jornadas dos Médicos de Família dos Açores

Cerca de uma centena de médicos de família e internos da especialidade estiveram reunidos em Ponta Delgada, entre 12 e 14 de maio, para mais uma edição das Jornadas organizadas pela Delegação da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Família (APMGF) no arquipélago. A par de um programa científico muito intenso, nas jornadas discutiu-se a implementação dos Núcleos de Saúde Familiar e as listas de utentes dos atuais contratos de 40 horas.

Na sessão de abertura do evento, que decorreu em paralelo com o VI Encontro Regional de Internos de MGF e Jovens Médicos de Família dos Açores, o presidente da APMGF, Rui Nogueira, sublinhou o facto de esta ser uma década de renovação na Medicina Geral e Familiar, com o foco na inovação e desenvolvimento da especialidade. Uma renovação que traz implícita “a necessidade de enquadramento de milhares de jovens médicos de família”.

“Estamos a caminho da cobertura universal”, com a possibilidade de milhares de portugueses, agora sem médico de família atribuído, passarem a ter o apoio de uma equipa de saúde nos cuidados de saúde primários. Contudo, o responsável da APMGF não deixou de alertar para os problemas decorrentes “das assimetrias regionais, que provocam sérias e preocupantes iniquidades assistenciais”, as dificuldades “ligadas ao desenvolvimento de novas unidades de saúde de proximidade”, os constrangimentos em termos da “colocação de novos médicos de família”, a complexidade “inerente ao envelhecimento da população” e o desafio clínico “subjacente à multimorbilidade que facilmente encontramos nos nossos doentes”.

Rui Nogueira abordou ainda a questão da carreira médica, enquanto fator de “recuperação fundamental do Serviço Nacional de Saúde” e a sua contribuição para a estruturação das unidades de saúde, o desenvolvimento da especialidade de MGF, bem como a promoção do desenvolvimento profissional contínuo dos médicos de família.

Açores avançam com a criação de Núcleos de Saúde Familiar

Na sessão de abertura – que contou igualmente com a presença de João Soares, diretor regional da Saúde, Jorge Santos, presidente do conselho regional da Ordem dos Médicos, José Bolieiro, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Tânia da Fonseca, vice-presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, e Sofia Correia, presidente do VI Encontro Regional de Internos de MGF e Jovens Médicos de Família dos Açores – a delegada regional da APMGF nos Açores, Anabela Lopes, referiu a implementação dos Núcleos de Saúde Familiar (que, na sua opinião, correspondem às USF Modelo A, com a formação de equipas multiprofissionais, uma lista idealmente de 1500 utentes e autonomia no que diz respeito à forma como vão gerir a sua lista e a sua prática clínica) como “um passo de gigante na Medicina Geral e Familiar dos Açores”. Contudo, “estes núcleos ainda não estão completamente implementados” e “a autonomia dos profissionais não está a acontecer”, apesar da normativa do governo regional dos Açores datar de setembro do ano passado.

Listas dos jovens MF não têm em conta as unidades ponderadas

O programa técnico e científico das XVI Jornadas dos Médicos de Família dos Açores, que teve início no dia 12 de maio com a conferência do presidente da APMGF sobre “excesso de formação – implicações para a Medicina Geral e Familiar”, incidiu sobre temas de grande relevância para a profissão, com destaque para a prevenção quaternária e a qualidade em MGF, e workshop dedicados à “leitura crítica e escrita científica de um artigo médico”, bem como à temática da cessação tabágica.

Em foco estiveram também os problemas que mais preocupam os internos de MGF da Região Autónoma dos Açores. De acordo com Sofia Correia, presidente do VI Encontro Regional de Internos de MGF e Jovens Médicos de Família, “têm sido postos entraves à realização de cursos curriculares obrigatórios – nomeadamente de investigação e de avaliação da qualidade – o que poderá por em causa a robustez da formação de médicos de família na nossa região”.

Em relação aos recém-especialistas, Sofia Correia referiu ao nosso jornal que a sua colocação nos centros de saúde, depois de concluírem o Internato, demora demasiado tempo (quase um ano). Acresce ainda que os atuais contratos de 40 horas não têm em conta as unidades ponderadas mas apenas o número de utentes (cerca de 1900 por lista), o que representa uma carga de trabalho excessiva.

Júri premeia melhores comunicações livres

O júri de avaliação de comunicações das XVI Jornadas dos Médicos de Família dos Açores decidiu atribuir, por unanimidade, o prémio de melhor comunicação oral ao trabalho sobre “Interrupção voluntária da gravidez: a realidade dos Açores”, da autoria de Filipa Rebelo, Maria Teresa Albergaria, Vanessa Aguiar, Ana Luísa Medeiros, Catarina Frias, Pedro Cosme e Carlos Ponte, da Unidade de Saúde de Ilha de S. Miguel, Centro de Saúde de São Miguel, e do Hospital do Divino Espírito Santo. O prémio consiste numa inscrição no 20º Congresso Nacional de MGF, a realizar em Castelo Branco, entre 30 de setembro e 2 de outubro, bem como duas noites de alojamento.

O júri decidiu ainda atribuir, por unanimidade, duas menções honrosas às comunicações sobre o “Tempo consumido pelas interrupções na consulta de MGF” (da autoria de Mara Pereira, Tatiana Ferreira, Gisela Costa Neves, Sara Borges da Costa, Rosa Leonardo Costa, Constança Dias, Carla Serrano e Humberto Santos, da USF Castelo, em Sesimbra) e a “Avaliação de qualidade na unidade de saúde de Capelas – satisfação dos utentes” (da autoria de Ana Luísa Medeiros, Ana Bicho, April Machado, Francisco Valente, Diana Freitas, José Carvalho Santos e Raquel Martins, da Unidade de Saúde de Ilha de S. Miguel).

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