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Experiência piloto de Unidades de Internos gera polémica

13º ENIJMF

A estrutura do 4º ano do Internato e os métodos de avaliação foram dois temas fortes dos debates do 13º Encontro, a par da discussão de uma grande diversidade de aspetos técnico-científicos com especial relevância na prática clínica.

Envolto em polémica, o debate sobre as diferentes realidades do 4º ano do Internato apresentou a experiência das Unidades de Internos (UIN) do Agrupamento de Centros de Saúde Almada-Seixal.

A sessão, moderada por Paula Oliveira, interna da USF São Julião, de Oeiras, contou com a presença de Conceição Alves, médica interna da mesma unidade de saúde familiar (que se debruçou sobre os pontos fortes do programa convencional do 4º ano), Joana Oliveira, interna do 4º ano de MGF da Unidade de Internos Amora-Seixal, Alexandra Fernandes, diretora do Internato de Medicina Geral e Familiar de Setúbal Norte e ainda Rubina Correia, vice-presidente da APMGF.

Coube a Joana Oliveira a apresentação do projeto piloto das Unidades de Internos numa zona do país onde o número de utentes sem médico de família atribuído se situa em cerca de 15 mil utentes (superior a toda a Região Centro, na sua globalidade).

Como referiu Joana Oliveira, as UIN são constituídas exclusivamente por internos, que trabalham em equipa e em regime de intersubstituição, com listas não nominais de 750 utentes sem médico de família atribuído.

As vantagens e desvantagens do projeto estiveram em foco durante uma longa sessão de debate, na qual Alexandra Fernandes explicou muito claramente que a adesão às UIN é absolutamente voluntária. Os internos só podem fazer parte destas unidades desde que os seus orientadores concordem. O que se pretende é que, de acordo com uma lógica de autonomia, os internos do 4º ano treinem uma situação parecida àquela que vão encontrar a seguir, mas em estreita ligação ao seu orientador, unidade de origem e à direção do Internato de Setúbal Norte.

O desafio consiste, como apontou Alexandra Fernandes, “em blindar esta forma de treino, que me parece muito interessante do ponto de vista formativo, para que não possa ser desvirtuada pela Administração ou pelo desejo de suprir a falta de médicos de família”.

A diretora do Internato de Medicina Geral e Familiar de Setúbal Norte foi ainda mais longe, ao afirmar que “o modelo das UIN não pode nunca ser universalizado”, tendo no entanto vindo a revelar-se útil e produtivo para os internos, orientadores, unidades de saúde e utentes daquela região da Península de Setúbal, face às características muito próprias do contexto da prestação de cuidados naquela zona, onde um grande número de famílias não possui médico de família atribuído desde há muitos anos, contando apenas com o apoio, ao nível dos CSP, de médicos indiferenciados e mal preparados.

Contudo, a preocupação pareceu não ter ficado dissipada entre a audiência, como ficou demonstrado pela intervenção de Rubina Correia e de muitos médicos de família e internos presentes no debate. Nomeadamente,o risco de usurpação desta ideia pela Administração para colocar internos de MGF a realizar trabalho de especialistas. “O risco é real”, alertou Rubina Correia. Outras questões sensíveis enumeradas pela assistência, na ocasião, envolveram matérias como a avaliação, o trabalho ombro a ombro com o coordenador e a necessidade de os internos desenvolverem projetos – neste tempo especialmente vocacionado para a investigação – que valorizem quer o interno, quer a unidade de saúde. Por último, esta experiência suscita dúvidas de carácter ético, relativamente às necessidades e expetativas dos utentes.

 

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