Política de saúde
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Fixação de MF no Interior não se resolve apenas com incentivos

APMGF na Comissão de Saúde da AR:

A falta de recursos e de investimento nos cuidados de saúde primários, assim como a impossibilidade de terminar com o Ano Comum, foram alguns dos alertas que Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), deixou ontem (dia 10 de março) na Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República.

Acompanhado do vice-presidente, Jorge Brandão, e do secretário da Associação, Nuno Jacinto, o líder da APMGF assinalou que o Ministério da Saúde quer acabar com o Conselho Nacional do Internato Médico e que as alterações previstas ao Regulamento do Internato Médico de MGF “poderão conduzir à demissão, em bloco, dos coordenadores e diretores do Internato”.


     

Atualmente existem cerca de 2.000 internos de MGF, ou seja, cerca de 1/3 do total, considerando todas as especialidades. “Não temos capacidade para formar tantos médicos”, afirmou Rui Nogueira, antecipando que, em 2018, na eventualidade da extinção do Ano Comum, seriam 4.400.

Neste contexto, o dirigente da APMGF chamou a atenção para a necessidade de planeamento, limitando o ingresso nas faculdades de Medicina para um total de 1.100 alunos nos próximos três anos.

A impossibilidade prática de extinção do Ano Comum, quer pela pressão que isso iria representar sobre o Internato Médico de MGF, quer pelo facto do 6º ano continuar a não ser um ano verdadeiramente profissionalizante, foi outra das ideias que o responsável da APMGF deixou bem clara na Comissão Parlamentar de Saúde, apontando que o desenvolvimento da atual política do Ministério da Saúde poderá conduzir à destruição do edifício da formação médica, à criação de médicos indiferenciados e de mão de obra barata.

Já no que se refere à reforma dos cuidados de saúde primários, o responsável da APMGF denunciou o facto de ter sido “travada” na presente legislatura. “Limitar o número de USF é o contrário do que deveria acontecer”, afirmou, ao mesmo tempo que defendia que “não podemos ficar parados no tempo, como aconteceu nos últimos dois anos”.

Salientando as dificuldades de acesso aos CSP em muitas regiões do país, sobretudo nas mais desfavorecidas, Rui Nogueira sublinhou que não serão os incentivos temporários à fixação de médicos que irão resolver este problema complexo. Em contrapartida, referiu a necessidade de rever a forma como as listas dos médicos de família são definidas, introduzindo outros fatores de ponderação. Nessas regiões carenciadas, nomeadamente do Interior, “é impossível gerir listas de 1.900 utentes. Ninguém quererá ir trabalhar para essas zonas”, independentemente da atribuição de incentivos financeiros.

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