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GRESP prepara novo curso sobre doenças respiratórias

Edição de Outono da Escola de Medicina Familiar

O GRESP vai estar de novo na Praia da Consolação (Peniche), entre 19 e 22 de novembro, para mais uma edição do curso sobre doenças respiratórias. De acordo com o Prof. Doutor Jaime Correia de Sousa, coordenador científico do curso, o GRESP está neste momento a fazer uma revisão curricular dos objetivos mínimos de aprendizagem nesta área para o Internato de Medicina Geral e Familiar. Previsivelmente, a proposta será apresentada às Coordenações do Internato ainda este ano.

As doenças pulmonares são responsáveis por cerca de um milhão de mortes e seis milhões de hospitalizações na Região Europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o estudo da European Respiratory Society e da European Lung Foundation, intitulado “A saúde pulmonar na Europa”, cerca de dois terços das mortes ocorrem nos 28 países da União Europeia.

No nosso país, estima-se que a asma esteja presente, de forma ativa, em cerca de 7% da população. Aproximadamente 10% já teve sintomas ao longo da sua vida, de acordo com dados da investigação “Asthma in an Urban Population in Portugal: A prevalence study”, realizada, entre outros, pelo Prof. Doutor Jaime Correia de Sousa, coordenador do Núcleo de Doenças Respiratórias/GRESP, presidente-eleito do International Primary Care Respiratory Group (IPCRG) e coordenador científico do curso “Doenças Respiratórias” da Escola de Outono da APMGF. Estes dados foram confirmados por um estudo de âmbito nacional da autoria da equipa do Prof. João Fonseca, do Centre for Research in Health Technologies and Information Systems (CINTESIS) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, “Prevalence of asthma in Portugal – The Portuguese National Asthma Survey”.

No que se refere à doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), um estudo recente realizado pela Prof. Cristina Bárbara, na Região da Grande Lisboa, aponta para uma prevalência na população com mais de 40 anos da ordem dos 12%. De acordo com Jaime Correia de Sousa, a extrapolação destes resultados para a população global (entre 5 a 6%) é ainda incerta, na medida em que haverá regiões do país onde a prevalência do tabagismo seja distinta da Região da Grande Lisboa. “Não temos a certeza, neste momento, da incidência de DPOC a nível nacional, mas a Sociedade Portuguesa de Pneumologia lançou um estudo que irá contribuir para determinar essa prevalência, sendo de antever que, a breve prazo, iremos contar com dados mais precisos”, explica o docente da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho.

GRESP prepara revisão dos objetivos de aprendizagem no âmbito do Internato

A asma, a DPOC e as doenças respiratórias agudas são as três grandes linhas temáticas do curso “Doenças Respiratórias” da Escola de Outono. Na opinião de Jaime Correia de Sousa, “todos os médicos de família devem ter formação, quer ao nível do ensino pré-graduado, quer do Internato Complementar, na área das doenças respiratórias crónicas mais prevalentes”. Aliás, uma equipa do GRESP “está neste momento a fazer uma revisão curricular dos objetivos mínimos de aprendizagem para o Internato de Medicina Geral e Familiar (MGF) na área das doenças respiratórias, baseada nos objetivos e conteúdos do curso desenvolvido na Escola de Medicina Familiar da APMGF”. Previsivelmente, esta proposta será apresentada às Coordenações do Internato e às sociedades científicas até final do ano.

Em síntese, o curso “Doenças Respiratórias” da Escola de Outono pretende que, no final da formação, os internos e especialistas de MGF conheçam bem as normas de orientação clínica (NOC) para o diagnóstico, tratamento e seguimento das doenças respiratórias crónicas mais frequentes.

O curso visa ainda treinar capacidades de diagnóstico, através da apresentação de casos clínicos, discutir como se faz a monitorização destas doenças na consulta de Medicina Geral e Familiar, selecionar as opções terapêuticas mais adequadas, aprender a interpretar as espirometrias de uma forma crítica e contribuir para melhorar a capacitação do doente e da sua família em relação ao autocontrolo da asma e da DPOC. Dar a conhecer a totalidade dos dispositivos inalatórios atualmente disponíveis no mercado – para que os internos e médicos de família possam ensinar os doentes e os restantes elementos da equipa de saúde a utilizá-los – e, por último, capacitar os MF para integrarem as doenças respiratórias na sua atividade quotidiana, à semelhança da hipertensão ou da diabetes, são outras vertentes igualmente importantes da formação ministrada pelos elementos do GRESP.

“Com muita frequência, os médicos de família referenciam crianças com asma para Pediatria mas muitas dessas situações podem ser assumidas e tratadas na consulta de Medicina Geral e Familiar”, refere Jaime Correia de Sousa. Relativamente aos adultos, o coordenador do GRESP aponta a necessidade de os médicos de família estabelecerem um programa de seguimento da asma ao longo do tempo.

Também no que se refere à DPOC, “há muito receio de assumir os doentes em fases mais avançadas da doença mas, muito embora estes doentes necessitem dos cuidados secundários, têm de ser seguido por nós nos intervalos das consultas hospitalares. Isso significa que os médicos de família precisam de saber como abordar e seguir os pacientes”, explica Jaime Correia de Sousa.

IPCRG criou guia específico para a asma de controlo difícil

De acordo com Jaime Correia de Sousa, a atividade e produção científica na área das doenças respiratórias aumentou, de forma exponencial, nos últimos anos. “Quer no que se refere à asma, quer à DPOC, registaram-se mudanças significativas em termos das normas de orientação clínica. Num caso e noutro, continuam a existir ainda muitas zonas de conhecimento científico não satisfeito, por insuficiência de respostas por parte dos investigadores, o que nos leva a pensar que nos próximos anos as doenças respiratórias crónicas continuarão a ser alvo de um grande esforço de investigação”.

É o caso, por exemplo, da Síndroma de Sobreposição Asma/DPOC, uma nova entidade que já foi alvo de recomendações conjuntas por parte da GOLD (Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease) e GINA (Global Initiative for Asthma) em 2014.

No âmbito do curso desenvolvido por elementos do GRESP irá ainda ser amplamente divulgado o “Guia para a Asma de Controlo Difícil”, produzido pelo IPCRG. De acordo com Jaime Correia de Sousa, trata-se de “um algoritmo que proporciona uma abordagem sistemática e prática de apoio aos cuidados de saúde primários e a outros profissionais de saúde da comunidade para melhorar os cuidados a pessoas com mais de 18 anos que sofrem de asma de controlo difícil”. O Guia visa otimizar o tratamento, em colaboração com o doente e a sua família, “antes de referenciar ou de escalar novas opções terapêuticas ou doses, seguindo um conjunto de passos de verificação dos elementos que podem estar a interferir no controlo da doença”.

Refira-se ainda que o GRESP constituiu recentemente grupos de trabalho com o objetivo de produzir recomendações sobre como organizar uma consulta de asma ou DPOC com os vários elementos da equipa de saúde, adaptada a cada situação ao longo do ciclo de doença.

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