Política de saúde
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José Robalo anuncia criação de projetos piloto na área da integração de cuidados

26ªs Jornadas de MGF de Évora

A edição de 2016 das Jornadas de MGF de Évora reuniu aproximadamente 120 médicos de família e internos da especialidade num dos encontros regionais mais emblemáticos da APMGF.

Na sessão de abertura, o presidente da ARS do Alentejo, José Robalo, anunciou que a região foi escolhida pela tutela como zona de experimentação na área da integração de cuidados. Os projetos piloto vão ter início em vários centros de saúde da região, tendo sido selecionadas cinco áreas prioritárias, pelo seu impacto, prevalência e custos envolvidos: saúde mental, doenças respiratórias, cerebrocardiovasculares, oncológicas e diabetes. “Se olharmos para os nossos doentes teremos aqui, provavelmente, mais de 70% da procura de cuidados de saúde primários”, explicou. Para os doentes mais complexos haverá «gestores de caso» nos CSP (as equipas constituídas pelo médico e enfermeiro de família), bem como nos hospitais.

Ainda de acordo com aquele responsável, Évora vai ser sede de um centro nacional de telemedicina, o que representará, na sua opinião, “uma vantagem imensa para a região”.

A sessão de abertura das 26ªs Jornadas contou ainda com a participação de Helena Gonçalves, delegada distrital da APMGF de Évora, Teresa Caldas de Almeida, diretora executiva do ACeS Alentejo Central, Augusta Portas Pereira, em representação da Ordem dos Médicos, Manuel Carvalho, diretor clínico do Hospital do Espírito Santo, e Rui Nogueira, presidente da APMGF.

“As Jornadas de Évora são a demonstração da força da nossa associação”, afirmou Rui Nogueira, cuja reflexão incidiu no que denominou de “esperança inquietante”, num momento de viragem política, económica e social. Esperança “numa nova geração de colegas que estamos a formar” e inquietação porque “não estamos ainda a ver como podemos enquadrar devidamente esses colegas na nova dinâmica e na nova cultura organizacional das nossas unidades de saúde”, explicou.

O responsável da APMGF expressou sobretudo a sua preocupação “pela quantidade de colegas que vão ficar sem formação específica nos próximos anos”.

Na sua opinião, “é uma atitude irresponsável ter um tão elevado ingresso de alunos nas nossas faculdades quando não vamos ter possibilidade de formar tantos médicos”.

Doação de órgãos dá início aos debates

No primeiro dia das 26ªs Jornadas, a organização apostou em temas fortes e com grande impacto na Medicina Geral e Familiar. “Doar órgãos, doar vida”, foi o título da conferência de abertura, da autoria de Ana Paula Fernandes, coordenadora do Núcleo de Doação de Órgãos do Hospital Fernando da Fonseca.

De acordo com a especialista, 2500 doentes portugueses aguardam atualmente um transplante de órgãos. “Essa é a única solução para a sua sobrevivência ou franca melhoria da qualidade de vida”. Por isso mesmo, “é fundamental todos nós, enquanto cidadãos e profissionais de saúde, termos uma opinião esclarecida sobre a dádiva de órgãos e partilhá-la junto dos colegas, familiares e amigos”.

A seguinte sessão das 26ªs Jornadas incidiu sobre hipertiroidismo. Segundo Catarina Saraiva, endocrinologista do Hospital Egas Moniz, que se debruçou exaustivamente sobre a sintomatologia, avaliação laboratorial, controlo sintomático e tratamento, a doença de Graves é a causa mais comum, sendo responsável por 80% das situações.

As doenças respiratórias estiveram igualmente em destaque, com a apresentação e discussão de seis casos clínicos pelo infeciologista Tiago Marques e pelo especialista em Medicina Interna Manuel Ferreira Gomes.

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