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Jovens internas portuguesas conhecem outras realidades da MGF

Programa de intercâmbio – Holanda

Duas jovens internas portuguesas da especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF), Joana Oliveira e Filipa Santos, beneficiaram de uma experiência única, graças a um programa de intercâmbio de quatro dias, realizado entre 4 e 8 de Junho, na Holanda. Uma iniciativa materializada pela LOVAH (Associação Nacional Holandesa de Internos de Clínica Geral), em parceria com o Movimento Vasco da Gama (MVdG) e com o apoio imprescindível da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e do seu Departamento de Internos e Jovens Médicos de Família.
 
No contexto deste intercâmbio, as jovens médicas portuguesas tiveram a oportunidade de passar um dia num centro de saúde holandês, seguido de uma jornada educacional na Universidade em Amesterdão e de um dia dedicado a uma conferência (organizada na cidade de Noordwijkerhart, a hora e meia de Amsterdão, intitulada Get Out of Your Comfort Zone, em português Sai da Tua Zona de Conforto).
 
Durante o período que passaram nos Países Baixos, as duas médicas ficaram alojadas em residências de colegas internos locais, de forma a facilitar o convívio e conhecimento da cultura local.
 
Expectativas claramente superadas
 
“Aguardava este intercâmbio com grande entusiasmo, tendo as minhas expectativas sido ultrapassadas, sobretudo pela excelente organização das atividades do intercâmbio”, sublinha Filipa Santos, uma das jovens internas que se deslocou à Holanda.
No primeiro dia do programa de intercâmbio, Filipa Santos acompanhou uma interna do 1º ano durante a sua atividade assistencial: “com esta experiência pude aperceber-me das semelhanças e diferenças que existem entre os sistemas dos dois países. Todo o dia é minuciosamente planeado com períodos de consultas de 15 minutos (por norma o médico de família holandês tem apenas 10 minutos de tempo de consulta, com exceção dos internos do 1º ano, que têm 15 minutos disponíveis), um período de domicílios, um outro para tarefas administrativas, outro para telefonemas e outro para discussão dos casos com o tutor (…) Durante a semana, os internos têm um dia reservado para ir até à universidade, onde reúnem em grupos para discussão de problemas da prática diária e também de temas teóricos”.

     

Embora tenha encontrado claras vantagens na forma como trabalham os clínicos gerais dos Países Baixos, Filipa Santos não esconde que em determinados campos a realidade lusa lhe assenta melhor: “reconheço que o sistema de saúde holandês tem alguns detalhes muito positivos, comparativamente ao português. Contudo, penso que o médico de família deve ter um papel mais ativo nas atividades preventivas, como é o nosso caso”.

 
Relativamente à estrutura do internato, Filipa Santos considera que na Holanda se privilegia mais “a discussão de temas entre pares e com maior articulação com as universidades”.
 
Oportunidade para valorizar a abrangência do trabalho do MF, em Portugal
 
Joana Oliveira, interna do 3º ano da Unidade de Saúde Familiar (USF) Cova da Piedade, apercebeu-se das diferenças significativas existentes entre as rotinas de um clínico geral holandês e de um médico de família português. O facto de, por exemplo, um clínico geral holandês ter somente 10 minutos de tempo de consulta (para cada motivo de consulta), de não existirem cuidados preventivos e de vigilância de saúde desenvolvidos pelo clínico geral (a Saúde Infantil e Saúde da Mulher estão excluídas do leque de responsabilidades da especialidade) e de não se verificar uma medição regular de indicadores de qualidade, foram alguns dos aspetos que despertaram a atenção da jovem médica da USF Cova da Piedade.
 
Deste tempo de aprendizagem, Joana Oliveira retém também o dia de formação na Universidade de Amesterdão (local onde pôde exercitar técnicas de comunicação, em role-play), a visita à Red Light Zone (na companhia ex-toxicodependentes associados à iniciativa Stories from the streets) e a sua participação na Conferência Get Out of Your Confort Zone, da qual salienta “a excecional palestra sobre Liderança e Resiliência para Médicos de Família, pelo Prof. Michael Kidd, Presidente da WONCA”.
Assim, não restam dúvidas a esta médica de que o intercâmbio realizado na Holanda contribuiu para o seu crescimento profissional, bem como para a consciencialização de que integra um sistema de saúde ímpar: “este estágio foi fundamental para a minha formação e motivação enquanto futura médica de família, reforçando o privilégio de pertencer a um sistema de saúde no qual o médico segue o indivíduo quer na vigilância de saúde, quer em períodos de doença”.
 
Por fim, Joana Oliveira acredita que alcançou uma visão mais fiel e rigorosa relativamente ao que se passa na área da Saúde, nos diferentes territórios europeus: “contatei com enormes diferenças no Sistema de Saúde Holandês, bem como com os principais pontos de contacto ou afastamento entre os diferentes Sistemas de Saúde nos países representados”.

Da experiência ficam valores e memórias, mas também um grupo na rede social Facebook, para a partilha de ideias, estudos e curiosidades. Muitos dos internos que se conheceram neste intercâmbio terão, pois, a possibilidade de manter o contato até à realização da Conferência da WONCA Europa 2014, em Lisboa, para a qual está já programado novo encontro.

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