Política de saúde
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Líderes da APMGF reúnem-se na celebração dos 25 anos

XXV Jornadas de MGF de Évora

O atual presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Rui Nogueira, encontrou-se com os quatro anteriores líderes da Associação – Mário Moura, Luís Pisco, Eduardo Mendes e João Sequeira Carlos – para a celebração dos 25 anos das Jornadas de Medicina Geral e Familiar de Évora. Além da natural satisfação pelo caminho percorrido até aqui pela Delegação Distrital de Évora, o responsável da Associação assinalou que a gravidade da situação atualmente vivida nos cuidados de saúde primários vai ser tema de um fórum médico, no próximo dia 7 de março, no âmbito do 32º Encontro de Medicina Geral e Familiar.

A iniciativa inédita de reunir todos os líderes da APMGF em Évora permitiu oferecer uma visão abrangente sobre a importância dos eventos organizados pela Associação e o seu alinhamento com a evolução e os desafios atuais da especialidade.

Ao nosso jornal, o presidente honorário da Associação, Mário Moura, sublinhou o esforço da Delegação Distrital de Évora na realização das Jornadas, desde 1990, sem interrupção. “Desde o início que a APMGF tentou descentralizar e criar delegações no país inteiro”, recordou. “Tivemos uma fase em que existia quase uma dúzia de delegações, mas muitas delas encerraram. A de Évora mantém-se com grande persistência, realizando jornadas anuais com um formato de grande originalidade e qualidade”. A organização do evento está a cargo de “um grupo de colegas com iniciativa, enquanto noutras zonas do país alguns foram desfalecendo em energia. É, de facto, de louvar a persistência e dedicação dos colegas de Évora”.

Reforma dos CSP “perdeu o norte”

Na sua intervenção, Luís Pisco selecionou, entre a multiplicidade e riqueza dos acontecimentos ocorridos nos últimos 25 anos, uma situação que correu mal e 12 que correram bem. “Poucas pessoas se lembrarão, mas conseguimos eleger uma presidência para a UEMO, liderada pelo Dr. Jaime de Sousa, com um conjunto de quadros muito bem preparados e, por mudanças internas na Ordem dos Médicos, não lhe foi permitido iniciar funções, o que constituiu, de facto, um desapontamento terrível”, recordou. Mas os aspetos positivos “foram inúmeros”. Nomeadamente, o papel da APMGF a nível internacional – que culminou em 2014 com a organização da WONCA Europa – e a sua influência política a nível nacional.


     


Apesar de não ter referido, na sua intervenção, o papel essencial da Associação na reforma dos cuidados de saúde primários, o atual vice-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo assinalou ao nosso jornal que “uma reforma tem de ter princípio, meio e fim. O que me parece é que houve um arrastamento de um conjunto de tarefas e, a certa altura, perdeu-se o norte”.

Hoje, “continuamos com a mesma metodologia que deu início à reforma e que considero que foi muito adequada para o arranque”, mas não para a fase seguinte. “Esta falta de conclusão é negativa porque produz um arrastamento e conduz ao desaparecimento do entusiasmo”. Na sua perspetiva, “não podemos ter um sistema de saúde a duas velocidades”, nem os cidadãos portugueses “cuidados de saúde tão diferentes”.

Évora mantém o entusiasmo original

Eduardo Mendes considerou a reunião de todos os líderes da APMGF na celebração dos 25 anos das Jornadas de Évora “interessante e inédita”. Mas, sobretudo, realçou ao nosso jornal “a consistência, constância e persistência com que a Delegação de Évora tem mantido, desde há 25 anos, uma atividade tão relevante, não só para a Associação, mas fundamentalmente para os colegas e para a Medicina Geral e Familiar. Eventualmente, há aqui um facto que não deve ser despiciente: o primeiro Encontro Nacional da APMGF realizou-se em Évora e foi um Encontro empolgante! Penso que esse entusiasmo e dinamismo ficou aqui”.

Para João Sequeira Carlos “é muito interessante que na Associação tenhamos a possibilidade de celebrar continuamente algumas efemérides. Isto diz bem da riqueza histórica e do percurso importante que tem a nossa Associação na sociedade e no setor da saúde”. Os 25 anos das Jornadas de MGF de Évora “são um motivo de grande satisfação, porque reconhecemos nos colegas de Évora, que têm constituído este forte núcleo regional, toda a qualidade, força e intensidade com que vivem a Medicina Geral e Familiar e os cuidados de saúde primários”.

Na sua intervenção, o mais jovem dos médicos de família que lideraram a APMGF cingiu-se especialmente ao caminho percorrido pela Associação nos últimos 13 anos. Nesse sentido, recordou “a greve dos três dias e a grande luta associativa, dos sindicatos e da Ordem dos Médicos em relação àquela que era a política do ministro Luís Filipe Pereira para a área dos cuidados de saúde primários”, a reforma dos cuidados de saúde primários, a alteração do nome da Associação para a atual designação e, por último, a realização da WONCA 2014, já durante o seu segundo mandato.

Rui Nogueira anuncia realização de fórum médico no 32º Encontro

Na perspetiva do atual presidente da APMGF, Rui Nogueira, as Jornadas de Évora fazem parte do património da APMGF, até porque “têm uma importância fundamental no desenvolvimento da nossa especialidade”. Aliás, a Associação desenvolve anualmente, a nível nacional, cerca de dez eventos de grande significado para a Medicina Geral e Familiar. É o caso do Encontro Nacional, que irá ter lugar no próximo mês de março, no Estoril, sob o lema “pensar positivo e trabalhar em equipa”. O objetivo é, de acordo com o responsável da APMGF, “afirmar-nos e conseguirmos marcar uma posição, tendo em conta o contexto em que vivemos”. Hoje, mais do que nunca, “temos de pensar onde estamos, para onde vamos e como estamos a conseguir fazer esse caminho”.


     


Concretamente, “nalgumas unidades, chegámos a uma situação caótica”. Em virtude do desinvestimento da tutela nos cuidados de saúde primários, “os colegas estão exaustos e sentem-se maltratados”. Por outro lado, a paragem da reforma dos cuidados de saúde primários está a gerar situações de uma “inadmissível iniquidade”.

Na opinião de Rui Nogueira, “não é possível continuarmos mais tempo com esta situação. Precisamos de encontrar soluções”. Nesse sentido, anunciou a realização de um fórum para os cuidados de saúde primários “com as estruturas médicas que nos estão mais próximas”, no próximo dia 7 de março, no âmbito do 32º Encontro Nacional.

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