Política de saúde
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Líderes nacionais e europeus da MGF alertam classe política através da Declaração de Lisboa

É preciso reforçar o investimento nos CSP:

Os médicos de família europeus demonstraram, mais uma vez, que estão empenhados na defesa da qualidade dos serviços de saúde e no bem-estar das populações que servem, tal como fica demonstrado pela Declaração de Lisboa, assinada hoje na reta final do 19º Congresso Europeu da WONCA pelos presidentes da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (João Sequeira Carlos), Sociedade Europeia de Medicina Geral e Familiar – WONCA Europa (Job Metsemakers) e do grupo que reúne os internos e jovens médicos de família europeus – Movimento Vasco da Gama (Peter Sloane).
Esta Declaração contém sérios avisos à navegação e às autoridades de saúde, ao indicar que os avanços obtidos nos sistemas de saúde a nível internacional, nas últimas décadas, estão hoje sob séria ameaça, podendo não ser sustentáveis a curto prazo, face à atual crise socioeconómica e às debilidades financeiras que muitos países atravessam. 
 
Os signatários da Declaração alertam ainda para o facto de que em muitos locais do globo, a rede de cuidados de saúde primários corre mesmo o risco de ser desmantelada ou condicionada na sua capacidade de ação, por causa de um crónico subfinanciamento.
 
Para contrariar esta perigosa tendência, que pode colocar em causa os bons indicadores de saúde populacionais para os quais muito têm contribuído os profissionais dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), os signatários exortam os governos europeus a respeitar a evidência científica e a vontade manifestada pelos utentes dos sistemas de saúde, implementando medidas que visem promover, defender e desenvolver serviços de cuidados de saúde primários sólidos e eficientes para todos os cidadãos, sem exceção.
 
Na cerimónia de apresentação oficial da declaração, o presidente da APMGF garantiu que os responsáveis pela implementação de políticas e orientações devem estar em sintonia com a realidade e que esta declaração pode ajudar nesse sentido: “muitas vezes, os políticos olham muito para folhas de Excel e pouco para a realidade. Temos de começar a ter mais política baseada na evidência e existe ampla evidência de que bons cuidados de saúde primários (CSP) poupam recursos e geram ganhos em saúde”. O dirigente da APMGF julga mesmo que as pessoas que lideram as nações europeias podem e devem guardar uma importante máxima na memória: “se existe uma crise económica no país, então é positivo investir nos CSP”.
 
Apesar de a situação ser muito diversa na Europa, com países a atravessarem maiores dificuldades do que outros, do ponto de vista socioeconómico, segundo o presidente da WONCA Europa, Job Metsemakers, não há privilegiados nesta matéria e todos os povos europeus devem adotar esta bandeira: “oiço com atenção os relatos de representantes da Medicina Geral e Familiar de todos os países integrados na WONCA Europa e nenhum deles refere que há mais financiamento no seu sistema de prestação de CSP. Por isso mesmo, temos de congregar esforços”. O responsável máximo da WONCA Europa afirmou também que aquela sociedade europeia irá aproveitar uma reunião previamente agendada e destinada a tratar de outros assuntos prioritários com a Comissão Europeia, em Bruxelas, para divulgar a Declaração de Lisboa e os princípios que esta sintetiza.
 
Já Peter Sloane, presidente do Movimento Vasco da Gama, considera que é necessária uma estratégia concertada de comunicação por parte dos médicos de família europeus e das populações que servem, no sentido de obter resultados práticos e chegar aos ouvidos de quem tem responsabilidades nas lides governativas: “todos sabemos que é verdade que os CSP promovem boa prestação de cuidados saúde e excelentes resultados em termos de custo/eficácia. Temos é de conseguir perceber como teremos de transmitir essa mensagem aos políticos e às comunidades em que estamos inseridos. No Movimento Vasco da Gama estamos a tentar fazê-lo através de novos canais de comunicação, sobretudo através dos media sociais. Para este esforço de comunicação, é fundamental que agrupemos todo o descontentamento sentido em diversos países pela degradação das condições dos sistemas de saúde e de trabalho, por parte dos profissionais de saúde”.
 
Por último, Peter Sloane relembra a necessidade de os eleitores não deixarem os seus representantes eleitos se desresponsabilizarem por eventuais atrasos civilizacionais: “é importante elucidar os políticos de quando tomam uma decisão, esta tem um impacto real sobre os sistemas de saúde e sobre a saúde das populações”.    
 

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