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Número recorde de trabalhos científicos dignifica a especialidade

19º Congresso Nacional de MGF

Mais de 700 médicos de família e internos de MGF estão reunidos em Viseu até ao próximo dia 27 de setembro, no maior evento técnico-científico da Medicina Geral e Familiar, organizado pela APMGF.
A reunião está a superar todas as expetativas, não só em relação ao número de profissionais inscritos, mas também no que diz respeito ao número de trabalhos que vão ser apresentados e partilhados ao longo de três dias. Foram submetidos 636 trabalhos à apreciação dos júris, incluindo 27 propostas de workshop e 248 comunicações orais, 115 das quais foram aceites para apresentação. Foram ainda propostos 361 pósteres, 225 dos quais vão estar expostos na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viseu até sábado. A constituição dos diversos júris envolveu a participação de 50 médicos de família.
 
“É com muito prazer que afirmamos o trabalho excecional dos especialistas de MGF, dos internos e orientadores, que se envolvem e querem trabalhar mais”, referiu o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Rui Nogueira, na cerimónia de abertura do 19º Congresso. Dirigindo-se especificamente aos autores dos trabalhos e “aos colegas mais novos”, o presidente da APMGF sublinhou o seu empenho na especialidade, dignificando-a e ajudando-a a crescer, “para bem dos nossos doentes”.
Muitos e diversos temas vão ser abordados ao longo do 19º Congresso, destacando-se a apresentação de várias perspetivas da temática da prevenção quaternária. Como referiu Lino Ministro, presidente da comissão científica do congresso, “o médico de família é o profissional de saúde melhor colocado para defender o seu doente do uso excessivo ou desnecessário de intervenções médicas e não médicas, sejam elas de cariz preventivo, diagnóstico ou terapêutico”.
 
Também José Manuel Tereso, presidente do conselho de administração da ARS Centro, sublinhou a evolução da chamada “medicina baseada na eminência”, para a “medicina baseada na evidência” e “a medicina de precisão”.
Especificamente, o responsável da ARS Centro destacou do programa do Congresso temas “da maior importância profissional e científica”, como são o sobrediagnóstico e o sobretratamento. Na sua perspetiva, “a missão da medicina é provar o bem, ao invés de causar dano. Não obstante uma intervenção clínica, diagnóstico-terapêutica, ser isenta de riscos, importa acautelar o seu prévio benefício líquido. Importa igualmente considerar as preferências do doente e, desta forma, respeitar um dos princípios basilares da medicina clínica, a autonomia”. 
 
Na cerimónia de abertura do 19º Congresso estiveram ainda presentes o diretor-geral da Saúde, Francisco George, o vice-presidente do Instituto Politécnico de Viseu, José dos Santos Costa, e o vereador Guilherme Almeida, em representação do presidente da Câmara Municipal de Viseu.
 
A sessão foi precedida pela conferência de David Marçal, doutorado em Bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa, sobre “Pseudociência”. Colaborador da Fundação Calouste Gulbenkian e do Pavilhão do Conhecimento na promoção do conhecimento científico, o coordenador dos Cientistas de Pé (um grupo de cientistas-atores que fazem stand-up comedy), frisou que a diferença entre ciência e pseudociência é que a primeira assenta em provas reprodutíveis que podem ser confirmadas por outros grupos de investigação de modo independente. Por outro lado, “a ciência não assenta na autoridade de ninguém, nem numa linguagem específica que soe a científica. Depende de provas”.

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