OCDE assegura que portugueses apreciam serviços nos CSP mas recomenda alargamento de horários

Relatório “Health at a Glance: Europe 2016”

De acordo com dados publicados no Relatório “Health at a Glance: Europe 2016”, veiculado recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal surge muito bem classificado na experiência que os utentes obtêm no contacto com os serviços dos cuidados de saúde primários. Assim, 96,3% dos utentes afirmam que o seu médico de família lhes proporciona explicações sobre saúde e doença fáceis de entender, um valor que apenas é superado em dois outros países da organização (Bélgica e Luxemburgo). Da mesma forma, o nosso país compara bem no que respeita à avaliação que os utentes fazem do tempo que o médico de família dispensa em consulta, com 89,6% a referirem que o médico atribui tempo suficiente para a consulta. Neste domínio, Portugal tem o quarto sistema de saúde mais bem classificado. Em acréscimo, 90,9% dos doentes garantem que os médicos que os atendem no ambulatório os envolvem nas decisões sobre cuidados e terapêuticas.

Apesar desta apreciação positiva por parte dos doentes, a verdade é que o mesmo relatório assinala o facto de em Portugal, entre 2011 e 2013, cerca de 30% dos doentes que visitaram um serviço de urgência hospitalar o terem feito por não existir na ocasião uma resposta disponível nos cuidados de saúde primários.

Os relatores apresentam como uma das principais recomendações para melhorar a qualidade e o acesso aos cuidados de saúde primários por parte dos cidadãos dos países da OCDE o alargamento dos horários das unidades de saúde em períodos não-laborais, uma medida com a qual concordam muitas das organizações do setor em Portugal e a generalidade dos representantes do poder local, mas que surge em contra corrente face às políticas desenhadas pelo Ministério da Saúde em anos recentes.

De frisar, por último, que o nosso país surge neste relatório como a nação da OCDE com a mais baixa taxa de admissões hospitalares evitáveis relacionadas com quatro patologias chave (insuficiência cardíaca congestiva, asma, DPOC e diabetes), circunstância que demonstra o enorme esforço preventivo que tem vindo a ser desenvolvido nas últimas décadas no seio do SNS.

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