Política de saúde
0

Ordem dos Médicos decide suspender colaboração com o Ministério da Saúde

Questões concretas são ignoradas

A Ordem dos Médicos (OM) decidiu suspender a colaboração com o Ministério da Saúde (MS) e aconselha os clínicos a não assinarem qualquer tipo de contratualização imposta este ano e também no próximo.

Sublinhando que os médicos estão a ser “coagidos pelo Ministério da Saúde a optar entre a desqualificação do seu trabalho ou a emigração, ambas as situações com prejuízo do SNS e dos doentes”, a Ordem pede em comunicado aos profissionais que “cessem a participação em Grupos de Trabalho” e recusem “toda e qualquer colaboração graciosa com o Ministério da Saúde, ACSS, ARS, DGS, Infarmed, Hospitais e ACES, incluindo as comissões de NOCs e Auditorias”.

A OM recomenda também aos médicos que “informem diretamente os seus doentes da gravidade e impacto negativo da atual política do Ministério da Saúde nos cuidados que lhes são prestados” e “continuem a denunciar à OM (em cada Secção Regional) todas as situações de deficiência, insuficiência ou pressão que possam pôr em risco a saúde dos doentes e o seu tratamento de acordo com as boas práticas médicas”.

Apesar de exercerem “uma profissão de elevada exigência, complexidade e alto risco”, os médicos são remunerados “abaixo de mecânicos, sem que o Ministério denote qualquer preocupação com essa situação”, acrescenta a OM, sublinhando que é exatamente por essa razão que muitos concursos ficam desertos.

Lamentando que o MS dedique mais atenção a alimentar notícias na comunicação social “do que a promover um diálogo efetivo e sério com os médicos e com os doentes, particularmente importante no período prévio à publicação de erros legislativos”, a Ordem garante ainda que não assinará “acordos vazios de conteúdos concretos e devidamente datados, ao contrário de outros”.

Notando que a greve convocada pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), “em vez de ser considerada como um sinal de alerta, foi completamente desvalorizada e, com base na mistificação, reduzida a uma mera iniciativa de carácter político-partidário, sendo ostensivamente ignoradas todas as importantes questões concretas elencadas pela Ordem e pelos Sindicatos”, a OM assevera que “o que se passa na Saúde em Portugal é grave, como demonstram as urgências sobrelotadas, os hospitais com pessoal insuficiente, os doentes sem Médico de Família e a realidade (esperada e prevista) de cada vez mais doentes oncológicos terem de ser operados no sector privado”.

Leia Também

Aposta na reforma dos CSP deve ser prosseguida

Morreu João Semedo

GESI assinala Dia do Idoso

Recentes

Menu