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Os mais idosos, pobres e iletrados apresentam maior risco para contrair doença

Relatório de Primavera 2016 revela:

De acordo com o Relatório de Primavera 2016 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), este ano intitulado «Saúde – procuram-se novos caminhos», os riscos de contrair doença “aumentam exponencialmente com a ausência de escolaridade, na presença de baixos rendimentos ou nos idosos.” Trata-se de uma das principais conclusões do relatório, apresentado publicamente na Fundação Calouste Gulbenkian, o qual apela às entidades governamentais que tomem as necessárias medidas para pôr um fim ao “ciclo de pobreza e de doença”.

Ainda segundo o documento do OPSS, “Portugal tem vivido anos de profunda recessão económica e de cortes orçamentais em várias áreas, incluindo a saúde, educação e segurança social. Neste sentido, as desigualdades em saúde representam uma preocupação acrescida, à luz dos custos elevados que acarretam”.

Em comentário às conclusões apresentadas, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que participou na cerimónia de divulgação do relatório, reconheceu que existem no nosso país desigualdades que se traduzem “numa melhor saúde para os ricos e numa pior saúde para os pobres”.

A área da Saúde Mental foi também apontada como um ponto fraco do sistema de saúde português, sendo mesmo avançada a urgência de “ melhorar e reforçar a liderança e a capacidade de governação do sistema da saúde mental e o acesso aos decisores políticos”. Do mesmo modo, os autores do documento salientam a importância de reforçar o investimento público nos cuidados paliativos.

Benzodiazepinas voltam “à berlinda”

A prescrição e o consumo exagerados de benzodiazepinas, um problema já conhecido na sociedade portuguesa, volta a ser abordado no relatório do OPSS, face ao óbvio agravamento das suas proporções. Os autores do relatório pedem “uma atenção redobrada”para a questão, estreita colaboração entre os serviços especializados de saúde mental e as unidades dos CSP e um aprofundamento da investigação sobre esta matéria, inclusive para procurar aferir se os índices de venda ilegal sem prescrição médica detetados no passado continuam em alta.

Os especialistas do OPSS, na abordagem deste assunto, suportam-se num estudo realizado com doentes internados ao longo de um ano num serviço de Psiquiatria em Portugal. Os doentes integrados nesta amostra viram os seus hábitos de utilização de benzodiazepinas registados no momento do internamento, tendo-se apurado que quatro quintos dos doentes apresentavam valores superiores a uma média de oito comprimidos de 10 miligramas de diazepam por dia (80 mg), um valor descrito como “deveras preocupante” pelo Observatório.

Pode consultar na íntegra o Relatório de Primavera 2016 do OPSS aqui.

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