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Participação confere conhecimento e apoio na investigação aos MF

31º EN – Rede Médicos-Sentinela

A sessão dedicada à Rede Médicos-Sentinela, realizada no decurso do 31º Encontro Nacional de MGF, deixou bem claros os benefícios de os médicos de família (MF) portugueses contribuírem para esta rede. Benefícios quer para os próprios (ao nível da investigação e acesso a dados estruturados e fidedignos), quer para a eficácia da vigilância epidemiológica do sistema de saúde nacional.
 
Na circunstância, a coordenadora da rede, Ana Paula Rodrigues, lembrou que a rede é “uma coorte dinâmica, que pode ser monitorizada em tempo real e que permite obter resultados de modo muito célere. Isto possibilita-nos uma grande vantagem no acompanhamento de situações como a que vivemos atualmente, de época gripal”.
 
Aquela responsável recordou, também, que todos os médicos-sentinela podem propor anualmente novos estudos, que posteriormente são avaliados e possivelmente aprovados em assembleia geral. Os médicos participantes têm também um acesso privilegiados a importantes bases de dados associadas à rede, “algo de grande importância para os médicos internos em particular, que necessitam de realizar trabalhos de investigação para desenvolver o seu currículo. A rede é uma excelente ferramenta para tais fins”, explicou Ana Paula Rodrigues.
 
No final de 2013, a rede tinha 58 médicos ativos, que abarcavam cerca de 28 mil utentes, mas a cobertura é ainda incompleta (no distrito de Viana do Castelo não existem médicos sentinela, nos Açores os médicos inscritos estão inativos e no Algarve apenas um ACES contribui para a recolha de dados). Nos próximos três a quatro anos, a coordenação da rede quer passar para um total de 175 médicos sentinela, com representatividade em todos os ACES do país. Para isso, deverá acrescentar à metodologia de participação voluntária, um sistema de depuração de amostras com representação epidemiológica e geodemográfica, partindo depois para convites a médicos específicos, tal como já acontece, com sucesso, na região Castela-Leão, no país vizinho.
 
Num debate coordenado por Teresa Pascoal (UCSP Mealhada- Direção Nacional da APMGF), o MF Daniel Pinto (USF São Julião de Oeiras) mostrou como a sua adesão à Rede se processou de forma rápida e sem grandes entraves, explanando ainda o que o levou a dar este passo: “por que é que alguém decide ter mais trabalho? No meu caso, desejava fazer investigação que fosse para além do meu cantinho e, por outro lado, queria ter acesso ao conhecimento gerado pela rede e às suas bases de dados, obtendo uma imagem da realidade nacional”. E este médico não tem dúvidas de que a gratificação de pertencer à rede é bem real: “aquilo que ouvimos nas notícias sobre a gripe, por exemplo, é fruto do trabalho, esforço e tempo que dedicamos á rede. Agrada-me, quando vejo que a base destas notícias provém de algo em que participei”. E, ao fim e ao cabo, o esforço exigido aos médicos-sentinela não é desmedido. Com meia lista a seu encargo, Daniel Pinto realizou pouco mais 130 notificações durante um ano. “Se pensarmos que as notificações se distribuem ao longo do ano inteiro, não é assim tanto trabalho, ainda para mais quando se trata de uma boa causa”, avança o MF da USF São Julião de Oeiras.      
 
O nível elevado de participação e de abertura da Rede é demonstrado, sem dúvida, pela agilidade com que esta aceita e valida ideias de investigação dos seus participantes. No caso de Daniel Pinto, após ter apresentado duas sugestões de trabalhos – sobre a terapêutica inicial na HTA e na Diabetes – rapidamente viu estas propostas avançarem para projetos de investigação aprovados, cuja recolha de dados já se iniciou no âmbito da Rede, no princípio de 2014.

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