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Perto de 500 novos internos abraçam a especialidade que marca o século XXI

Recorde de ingressos no internato de MGF

Iniciaram-se ontem (dia 5 de janeiro) as primeiras cerimónias de receção aos médicos internos que ingressam na especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF) em janeiro de 2015, com sessões de boas vindas e esclarecimentos a decorrerem em Lisboa e no Porto, direcionadas respetivamente aos novos internos das Coordenações do Internato de MGF de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e do Norte. Nos próximos dias decorrerão sessões similares no Algarve, Alentejo, Centro, Madeira e Açores. No total, são 497 novos ingressos na especialidade, em todo o território nacional, um recorde absoluto de admissões.


     

Em Lisboa, na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, onde foram recebidos os novos internos de LVT, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) não quis deixar de se associar ao arranque do internato da especialidade para estes jovens, distribuindo informação sobre as atividades formativas, científicas e de investigação que promove, elucidando também os futuros colegas de ofício acerca da importância de conhecerem e darem o seu contributo para entidades como a organização mundial que representa os médicos de família, a WONCA, ou o seu grupo orientado para os internos e jovens médicos de família, o Movimento Vasco da Gama,

Conheça aqui, em detalhe, o Movimento Vasco da Gama.

“Dou-vos os parabéns por terem abraçado, de corpo e alma, a MGF. Não duvidem que entram agora numa especialidade que, apesar de não estar rodeada de muita «ficção científica», de aparelhos e monitores eletrónicos geradores dos mais complexos ruídos, é uma especialidade de vanguarda, de futuro, que marca em definitivo a Medicina do século XXI”, afirmou na cerimónia de receção aos internos de LVT o presidente cessante da APMGF, João Sequeira Carlos.


     


Ao darem os primeiros nesta longa viagem de quatro anos, os médicos que escolheram a MGF devem, no entanto, ter consciência dos complicados desafios que têm pela frente. Segundo o vice-presidente da ARSLVT responsável pela área dos cuidados de saúde primários, Luís Pisco, a enorme procura por serviços de saúde por parte da população portuguesa – combinada com a falta de recursos em algumas regiões (como sucede em LVT) – não deixa margens para dúvidas relativamente à empreitada que estes futuros médicos de família terão pela frente: “mais de 7 milhões de utentes realizaram pelo menos uma consulta nos centros de saúde, em 2014. Tendo em conta a dimensão da população portuguesa, isto resulta numa taxa de cobertura superior a 70%. É muito para um só ano e os títulos que surgem nos jornais, a propósito deste assunto, revelam que se trata, aliás, de uma situação pouco habitual”.

A exigência será grande

Por esta e por muitas outras razões (entre elas, a existência de um número considerável de utentes na região ainda sem médico de família atribuído), a missão daqueles que agora iniciam o trajeto do internato de MGF em LVT não será fácil. “Seremos exigentes convosco, porque temos de sê-lo e porque os doentes acreditam em nós, merecem essa consideração e obrigam-nos a esse imperativo”, avançou o presidente da ARSLVT, Luís Cunha Ribeiro, no encerramento da cerimónia de receção. O mesmo dirigente pediu aos jovens colegas que façam chegar sugestões à ARS, através das comissões de internos ou das direções de internato, porque só assim haverá espaço par a melhoria do processo de formação e para a forja de bons médicos de família: “encontrarão muito erros, sim. Vão deparar-se com muitas coisas más, é certo. Mas o mais importante é que reconheçam esses erros e essas insuficiências e que as comuniquem aos colegas mais velhos, para que tenhamos feedback dessas situações. Temos de funcionar numa rede e vocês, que acabaram de chegar, são os elementos mais jovens dessa rede, que deve ser participativa e ativa. Façam-nos chegar as vossas sugestões!”. Luís Cunha Ribeiro deixou também a boa notícia de que a ARSLVT está em vias de ver aprovada a aquisição de novos terminais não inteligentes, ligados a servidores mais rápidos, que permitirão melhorar o funcionamento das aplicações informáticas em muitos locais de trabalho, aperfeiçoando assim os canais de comunicação ao dispor destes internos, dos seus orientadores e das equipas de saúde em que estão integrados.


     


Nesta sessão, coube à coordenadora do internato de MGF na ARSLVT, Isabel Pereira dos Santos, explicitar aquilo que será esperado dos novos internos. Esta responsável descreveu igualmente, de forma sumária, o que se deverá passar durante o ciclo de quatro anos de internato de MGF, tendo reforçado a ideia de que a Coordenação valorizará a capacidade de iniciativa dos internos na modelação do seu próprio percurso formativo e do plano individual de formação: “não é o local de prática que tem de vos fornecer tudo! Os internos têm de ir à procura de novas experiências e esperamos que intervenham na prática alargada do seu ACES, suplementando necessidades de saúde não cobertas. Desta forma, mostrarão interesse na valorização profissional e na melhor oferta de saúde junto da comunidade. Essa pró-atividade será apreciada na avaliação final do internato”.

     

Isabel Pereira dos Santos não nega que o dispositivo formativo a colocar em campo tenderá a encontrar cada vez mais dificuldades, até porque em janeiro deste ano entram 168 novos internos de MGF em LVT, aproximadamente 25% mais do que em 2014. A tarefa complica-se ainda mais, quando se leva em conta que foi introduzida há muito pouco tempo uma nova estrutura no internato de MGF na Região e nos processos de avaliação a ele associados, mudança que tem obrigado a um período de adaptação. No entanto, alguns dos novos princípios já implementados pegaram de estaca e Isabel Pereira dos Santos aproveitou para difundi-los junto dos mais recentes representantes da especialidade. Desde logo, a necessidade de os internos começarem a fomentar, logo no quarto ano do internato, uma verdadeira dinâmica de trabalho em equipa, que os prepare para o cenário que encontrarão (teoricamente) quando se tornarem especialistas: “o que gostaríamos imenso é que quando as pessoas saíssem do internato de MGF estivessem prontas para formar equipas, que o internato fosse uma espécie de incubadora para futuras Unidades de Saúde Familiar (USF). Tal não será possível, em relação à totalidade dos internos e dos locais, mas é possível e desejável na maioria dos casos. Ou seja, os internos não podem ficar como «princesas num baile de debutantes, à espera que os venham buscar para dançar», têm de conhecer essa experiência de trabalho colaborativo antes de terminarem o internato, não depois de o concluírem”.

     

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