Política de saúde
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Portugueses já sentem efeitos dos cortes na Saúde

Bastonário da Ordem dos Médicos

Os efeitos dos cortes na saúde estão a ser claramente negativos para a população, afirmou o Bastonário da Ordem dos Médicos (OM), José Manuel Silva, na sessão de encerramento do 18º Congresso de Medicina Geral e Familiar. Na sua perspetiva, as dúvidas relativas à sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde fazem parte de uma estratégia política. Os números demonstram que Portugal tem “um sistema de saúde barato, que funciona bem e com excelentes indicadores de saúde”. Com efeito, os gastos per capita na saúde são bastante inferiores aos da média da OCDE e o mesmo sucede relativamente a numerosos indicadores.
 
Por exemplo, em Portugal, os cidadãos gastam bastante mais do seu bolso em despesas da Saúde (26% em comparação com 19,2% da média da OCDE), o número de camas por mil habitantes é inferior (3,4 versus 4,9) e o tempo de internamento (5,9 dias) situa-se muito abaixo de países como a Alemanha ou o Reino Unido.
 
Mas ao nível de indicadores em saúde, que situavam o sistema português entre os melhores do mundo, a situação começa a alterar-se. Nos dois últimos anos, verificou-se não só um aumento da taxa de mortalidade infantil (que, em 2010, se situava muito abaixo da média da OCDE) mas também da mortalidade global, que apresenta, hoje, valores semelhantes aos de 2005. “Não podemos desprezar este aviso e deixar de chamar a atenção dos responsáveis governamentais para a necessidade de não se cortarem mais recursos na saúde”, ressalvou o dirigente da OM.
 
OM atenta às substituições abusivas nas farmácias
 
Relativamente à despesa com medicamentos, José Manuel Silva aponta que embora o preço médio por embalagem de medicamentos genéricos prescritos tenha vindo a diminuir, “o preço faturado tem vindo progressivamente a aumentar”.
De acordo com dados de um agrupamento de centros de saúde (ACES), os custos imputados à prescrição estão 20% acima daquilo que é prescrito, em virtude “dos fatores que inquinam a dispensa de medicamentos na farmácia”. Estes dados demonstram inequivocamente que “a Ordem dos Médicos tem toda a razão em se queixar desta realidade”. Nesse sentido, José Manuel Silva pede a todos os médicos que reportem à OM, com factos, “as substituições abusivas nas farmácias”.
 
Médicos no desemprego a curto prazo
 
Noutra ordem de ideias, José Manuel Silva revelou que um estudo encomendado pela OM à Universidade de Coimbra mostra que “vamos ter milhares de médicos no desemprego a curto prazo”. Por esse motivo, “defendemos que os numerus clausus sejam repensados”. Este ano, por exemplo, “já não vamos ter vagas de especialidade para todos os candidatos”.
Não há mais espaço de formação mas, “apesar de termos vindo a chamar a atenção para esse facto desde há muito tempo, infelizmente o governo não lhe dá a atenção que merece”.

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