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Rastreio do cancro colo-rectal vai ser tema quente no 34º EN

Parceria com SPG origina grande debate:

José Cotter, presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), será a figura de relevo no debate do 34º Encontro Nacional focado no rastreio do cancro colo-rectal (CCR), agendado para as 9h00 do dia 17 de março. Nesta sessão será percorrida a mais atualizada evidência cientifica acerca dos benefícios e riscos do rastreio do CCR. ”No respeitante ao CCR, os benefícios do rastreio são incomensuravelmente superiores aos riscos. Basta recordar que em mais de 90% dos casos de CCR este é precedido de uma lesão benigna (pólipo/adenoma), que uma vez diagnosticada por colonoscopia é imediatamente ressecada pelo mesmo método, interrompendo assim a via da carcinogénese. Este ato significa a cura do processo. Para este tipo de lesões, um método de rastreio como é o caso da pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) revela-se um mau método, pois apresenta uma sensibilidade inferior a 40%”, explica José Cotter.

De facto, segundo o presidente da SPG, “como método de verdadeira prevenção do CCR (aquilo que mais interessa numa doença que tem uma sobrevida aos 5 anos de apenas cerca de 50%), a colonoscopia continua a ser consensualmente o método “gold-standard” e deverá idealmente ser utilizado. Face à baixa sensibilidade para este tipo de lesões, a PSOF requer uma determinação anual, o que na prática origina uma taxa de não aderência muito elevada. Poder-se-á argumentar que a PSOF tem uma sensibilidade razoável para o CCR (cerca de 80%), mas o que importa diagnosticar é a lesão pré-maligna e evitar o CCR. Para isso, a PSOF é inadequada”. Aquele gastrenterologista recorda ainda que se encontra “recomendado que todos os cidadãos assintomáticos a partir dos 50 anos façam os exames necessários para prevenção do CCR, ou mais cedo no caso de risco familiar ou aparecimento de sinais ou sintomas (conforme estabelecido na norma de orientação clínica da DGS sobre Prescriçao de Colonoscopia)”.

Questionado sobre quais as melhores opções para a Gastrenterologia e a MGF colaborarem no sentido de estabelecer esforços preventivos no contexto do CCR, José Cotter salienta que “hoje é possível em grande parte do território nacional efetuar colonoscopias em tempo útil no âmbito dos prestadores convencionados com o SNS, sem encargos acrescidos para o cidadão” e que a “Constituição Portuguesa prevê a acessibilidade igual para todos os cidadãos a cuidados de saúde de qualidade e os médicos têm a responsabilidade de lhos facultar e para isso contribuir. Por isso, a MGF tem um papel importante na implementação da prevenção primária (cuidados relativos aos hábitos do quotidiano e alimentares) e a Gastrenterologia tem a responsabilidade pela resposta às solicitações que lhe são pedidas, nomeadamente a realização de colonoscopias nas suas vertentes diagnóstica e terapêutica”. Para o presidente da SPG, “só com esta simbiose será possível reduzir significativamente a incidência do CCR, objetivo primordial nesta doença, na medida em que apesar dos avanços terapêuticos a doença continua a ter uma sobrevida muito inferior ao desejável e uma muito negativa repercussão na qualidade de vida dos doentes”.

A SPG também realizará no âmbito do 34º EN um workshop dedicado às alterações de provas hepáticas, coordenado por Rui Tato Marinho, vice-presidente da SPG. É importante mencionar que o estreitar de relações entre as duas sociedades terá continuidade ao longo de 2017, em particular através da realização de um formação intensiva designada por Gastro Digest, focada nas necessidades da MGF e que versará várias temáticas da Gastrenterologia (CCR, síndrome do intestino irritável, refluxo gastroesofágico, etc.). Esta formação decorrerá durante a Semana Digestiva 2017, cujo programa poderá consultar em www.semanadigestiva.pt.

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