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Referenciação e tratamento precoces têm um grande impacto económico-social e de saúde

Doenças reumáticas e músculo-esqueléticas:

A European League Against Rheumatism (EULAR), a Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) e a Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas (LPCDR) organizaram uma conferência na Sala da Biblioteca da Assembleia da República (AR), no sentido de consciencializar a sociedade portuguesa, os decisores políticos e os profissionais de saúde para a importância do diagnóstico, referenciação e intervenção precoces nas doenças reumáticas, bem como o impacto social, económico e de saúde de apostar numa estratégia preventiva ao nível das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas.

Esta sessão serviu também para apresentar a nível europeu a campanha da EULAR intitulada “Don´t Delay, Connect Today”, centrada na necessidade de tratar as doenças reumáticas de forma cada vez mais precoce e eficiente, de maneira a evitar sérios impactos futuros na morbilidade e mortalidade das populações.

Na ocasião, o presidente da EULAR, Gerd Rüdiger Burmester, recordou que na Europa os custos com as doenças reumáticas e músculo-esqueléticas ascendem a perto de 2% do PIB e que em Portugal duas em cada quatro pessoas são afetadas por algum tipo de doença reumática ou músculo-esquelética, um valor que está cima da média do Velho Continente. “Nunca é tarde demais para tratar as doenças reumáticas e músculo-esqueléticas. Mas quanto mais cedo isso acontece, melhores são os resultados. Temos de aproveitar esta «janela de oportunidade»”, declarou o dirigente da EULAR na AR.

Gerd Burmester frisou também a urgência de os diversos países europeus fazerem um esforço para, de modo gradual, acabarem com os tempos de espera para acesso à especialidade de Reumatologia, situação que muitas vezes contribui para um início de tratamento tardio, a perda de qualidade de vida por parte dos doentes e a redução da produtividade na comunidade: “no caso dos doentes com artrite reumatóide, por exemplo, é fundamental que estes comecem a ser tratados de imediato após o diagnóstico e os agentes modificadores da doença devem ser utilizados o mais cedo que for possível”.


     


Por outro lado, José Canas da Silva (presidente da SPR), mencionou o facto de Portugal ter formado um número muito significativo de reumatologistas nos últimos dez anos. Potencial que agora necessita de rentabilizar ao máximo, com a ajuda da nova Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação de Reumatologia, que deverá ser totalmente implementada até 2019 e garantir um reumatologista para cada 50 mil habitantes e 38 serviços especializados de Reumatologia em todo o território.

No que respeita à articulação entre níveis de prestação de cuidados, Canas da Silva adiantou que “os médicos de família (MF) podem por vezes não identificar os problemas detetados como urgentes ou, na sua área de referência, encontrarem ainda um número muito limitado de reumatologistas”. Para este dirigente, “não é nenhum destino fadado termos pessoas com doenças reumáticas sem controlo. Temos de colocar os serviços de saúde a falar uns com os outros”.

Jorge Brandão, vice-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), que representou a entidade nesta conferência, considera que “as doenças reumáticas ainda são subvalorizadas, tanto por doentes como por profissionais de saúde. Muitas vezes não são estabelecidos os diagnósticos certos em tempo oportuno, permitindo a implementação das novas terapêuticas indutoras de regressão da doença, evitando a inevitabilidade de outros tempos quanto a progressivos desenvolvimentos de incapacidade e deformação. Isto aplica-se, fundamentalmente, à artrite reumatóide e à espondilite anquilosante. Quanto à osteoartrose, também tem que deixar de ser um inevitável «fim de vida das articulações», procurando-se condições laborais mais protetoras das articulações envolvidas e aplicação de medidas de reabilitação adequadas a cada estadio até ao estadio final, cirúrgico”.

Quanto à circunstância de ainda existir um débil acesso à especialidade de Reumatologia em alguns locais do país, Jorge Brandão julga que se deveria promover “uma maior aproximação dos reumatologistas aos cuidados de saúde primários. Há novas metodologias terapêuticas que promovem mudanças acentuadas na história natural de algumas doenças reumáticas. Os MF poderão não se sentir capacitados para as desenvolver e os doentes ficarão em défice terapêutico. Por isso mesmo, foi referido nesta conferência que deveria haver mais reumatologias disseminados pelo país”.

A propósito da campanha de «disease awareness» lançada pela EULAR, o vice-presidente da APMGF pensa que um dos efeitos benéficos da mesma poderá ser a uma instituição cada vez mais precoce dos DMARS, os fármacos modificadores da história natural da doença: “é uma importante mudança de conceito, em que se passa do tratamento sintomático com AINE’s, para medicamentos «curativos», no sentido de que vão fazer regredir a agressão articular promovida pelo próprio organismo, já que são doenças que têm subjacente mecanismos de auto imunidade”.

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