Gerais
0

Regressar à génese da relação

Abertura do 22º Congresso Nacional de MGF

Momento alto de todos os Congressos Nacionais de Medicina Geral e Familiar (MGF), a conferência de abertura é, regra geral, um privilégio concedido a clínicos, académicos ou peritos com vasta experiência e longa carreira. Mas nas Caldas da Rainha, na 22ª edição do evento, a organização optou por convidar uma jovem médica de família a partilhar a sua perspetiva sobre o presente e o futuro da especialidade e do sistema de saúde em Portugal. Em foco, os riscos de uma excessiva cavalgada tecnológica que pode desvirtuar os valores essenciais da Medicina humanizada.

A conferência de abertura do 22º Congresso Nacional de MGF, intitulada de «A MFG dos Novos Tempos – da Literacia à Tecnologia, sem esquecer a Ética e o Humanismo», é uma narrativa da autoria de Ana Coelho Rodrigues (UCSP São Pedro do Sul – ACeS Dão Lafões), jovem médica de família que terminou há muito pouco tempo o seu internato da especialidade e que durante aproximadamente 30 minutos tentará analisar uma questão fundamental: estaremos a assistir a uma mudança de paradigma na prestação de cuidados de proximidade e na própria MGF? Em causa, questões como as consequências da tecnologia na Medicina de relação e o que realmente pode mudar na rotina do médico de família e no seu consultório, por norma um espaço em que impera a comunicação interpessoal e a confiança entre duas pessoas que se conhecem e se observam, olhos nos olhos.

“Ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento tecnológico tem-se assumido como um dos principais baluartes na prestação de cuidados de saúde de qualidade, trazendo inovação, acessibilidade e acuidade diagnóstica ao quotidiano do médico de família. Não obstante, o impacto desse crescimento na relação com o doente tem-se vindo a notar, particularmente no sobre-diagnóstico, na fragmentação dos cuidados e na vulgarização do «ser doente», explica Ana Coelho Rodrigues. De acordo com a conferencista, “importa pois regressar à génese da relação que constitui a essência da disciplina e procurar refletir sobre os determinantes da ciência e tecnologia que tornam «ser médico de família» também uma arte”.

Leia Também

Baixa atratividade das vagas de MGF só pode ser contornada com estratégia multifatorial

Abertas as candidaturas ao Montegut Global Scholars Program

APMGF apoia greve nacional dos médicos

Recentes

Menu