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MGF tem de ter uma voz mais ativa na gestão da doença aguda

Reunião de Quadros da APMGF

Na sequência da parceria estabelecida com a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que deu já origem a um grupo de trabalho conjunto para o estudo da gestão da doença aguda e à criação de um memorando de entendimento com sete recomendações concretas nesta área, a última reunião de quadros da APMGF, levada a cabo em Peniche, centrou-se nas melhores formas que os médicos de família podem encontrar para debelar um dos principais problemas que afeta o sistema de saúde no nosso país: a desenfreada e irracional corrida às urgências e o mau acompanhamento e tratamento que muitos dos doentes com doença aguda recebem.

Após a discussão da temática em grupos, foram referenciados alguns dos desafios que se apresentam na atualidade, como sejam a má articulação entre ACeS e unidades hospitalares, em muitas regiões de Portugal, a necessidade de fazer uma pedagogia mais acentuada junto da população para o uso racional dos serviços de saúde, assim como a necessidade de redimensionar as listas dos MF e eventualmente os seus horários e agendamentos, para fazer frente à doença aguda. Do mesmo modo, foram também propostas eventuais soluções que possa concorrer para aliviar o problema, como o aumento do número de domicílios feitos pelos profissionais de USF e UCSP, a requalificação de muitas consultas externas hospitalares, a avaliação criteriosa das listas dos grandes utilizadores de serviços de saúde, a sinalização dos doentes complexos (com eventual acompanhamento dos mesmos em hospital de dia ou consulta aberta especial na unidade hospitalar), a recuperação do conceito de hospital de proximidade, ou um maior investimento na ligação entre cuidados continuados e serviços hospitalares, entre outras ideias.

Foi unânime a conclusão de que para avançar com estratégias e medidas concretas, é fundamental ter uma noção clara do problema e dados fiáveis, algo que só pode acontecer com um levantamento profundo da atuação dos profissionais e serviços de saúde no âmbito da gestão da doença aguda. A este propósito, o presidente da APMGF, Rui Nogueira, avançou com uma novidade: “a APMGF e a SPMI vão associar-se a uma entidade externa, para que esta possa fazer um estudo rigoroso do que está a acontecer nas urgências hospitalares e no atendimento em MGF e para sairmos de impressões gerais, sem evidência e robustez de informação”.

Após esta reunião de quadros que se debruçou sobre a problemática da gestão da doença aguda, realizou-se também, em Peniche, a Assembleia-Geral de sócios da APMGF, durante a qual foram discutidos o plano de atividades e o orçamento associativo para 2019.

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