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ARSLVT recebe 173 novos “bravos” que vão estrear programa de formação

Receção aos internos do 1º ano de MGF

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo – ARSLVT – acolheu 173 novos internos do 1º ano na especialidade de MGF, numa sessão realizada na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Ali, os jovens médicos foram convidados a conhecer não apenas a realidade da prática clínica nos ACeS da região, mas também despertados para as características das populações que irão servir, para a importância da evidência na decisão clínica em Medicina, da vacinação e das oportunidades de apoio que lhes são oferecidas por estruturas internas da Coordenação de Internato (como a Comissão de Internos de Medicina Geral e Familiar da Região LVT) e externas, como a APMGF.

Este grupo de novos internos vai poder já beneficiar de um novo programa de formação, prestes a entrar em vigor, que de acordo com o coordenador do internato de MGF em LVT, Daniel Pinto, comportará vantagens claras: “o programa traz melhorias substanciais em relação ao anterior, pela maneira como está organizado, por prever alguma individualização do percurso formativo, diminuir a dependência dos centros de saúde face aos hospitais e possibilitar mais tempo para tarefas não assistenciais, diminuindo assim o burnout visível nos internos desta especialidade”.

Daniel Pinto acredita que para ultrapassar, o mais rapidamente possível, o problema da escassez de médicos de família na região de LVT, é fundamental desmultiplicar a capacidade de formação de novos internos, dando força a um movimento em crescendo a que se tem assistido nos últimos anos: “mais de 90% dos internos que terminam a sua formação pós-graduada em MGF em LVT escolhem uma vaga na nossa região. Apenas temos dificuldade em cativar os colegas que fazem o seu internato em outros locais do país, pelo que o fundamental para os nossos objetivos é treinar um número cada vez maior de internos em LVT, aumentarmos as nossas capacidades formativas internas. Este número de 173 é um número recorde, mas acredito que para o ano esse número possa ser um pouco maior. Isto porque temos hoje um grupo muito significativo de jovens médicos de família na região que não vê a sua atividade enquanto especialista como completa, sem a possibilidade de ter pelo menos um interno com quem possa partilhar conhecimento”.

Luís Pisco, presidente da ARSLVT, regozijou-se por ver uma sala cheia de jovens que daqui a quatro anos se tornarão especialistas, deixando um desejo: “esperamos que nessa altura escolham a nossa região, porque bem precisamos de vocês”. Ao fazer a caracterização geral da Região de Saúde que lidera, das respetivas populações de utentes e do historial de prestação de cuidados de proximidade, Luís Pisco recordou os presentes que quase 50% do orçamento da ARS é gasto “com medicamentos e meios complementares de diagnóstico. A cada dia que passa, prescrevemos mais de dois milhões de euros em medicamentos na nossa região”. Por isso, o presidente da ARSLVT, deixou nota de que é fundamental agir com racionalidade na consulta e ter uma visão mais alargada dos limites do sistema de saúde em Portugal.

O dirigente sublinhou ainda que, no plano das instalações físicas, os jovens internos têm boas perspetivas pela frente: “o governo decidiu estabelecer como meta acabar com as unidades de saúde situadas em edifícios de habitação. São, de facto, inqualificáveis alguns dos equipamentos que ainda detemos. Por isso, nos próximos dois a três anos, com a ajuda dos municípios, vamos ter um conjunto grande de novas instalações, que seguramente vão criar excelentes condições de trabalho e de prestação de cuidados”.

Nesta sessão, os internos do 1º ano tiveram também a oportunidade de ouvir da parte de David Rodrigues (investigador e docente da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa) uma comunicação sobre a importância de centrar as decisões clínicas na evidência científica e de Graça Freitas (diretora-geral da Saúde) impressões sobre os ganhos civilizacionais conquistados com a vacinação e a necessidade premente dos MF sensibilizarem os seus utentes para cumprirem o PNV. Por fim, Vera Pires da Silva (membro da Direção Nacional da APMGF) abordou algumas das vantagens que os jovens médicos poderão recolher caso se juntem à APMGF, nomeadamente a participação nos grandes eventos nacionais e regionais de atualização científica de MGF organizados pela Associação, o acesso a publicações de referência, dedicadas à especialidade e aos CSP, a integração em grupos de estudos ou realização de intercâmbios internacionais. Foi também apresentado, em traços gerais, um projeto de apoio à produção científica dirigido especificamente a internos do 1º ano, promovido pela APMGF, assim como lançado o convite para a deslocação a Braga, entre 13 e 16 de março, onde será realizado o 36º Encontro Nacional de MGF.

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