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Dagmara Paiva conclui provas com trabalho sobre literacia em saúde na área da diabetes tipo 2

Doutoramento em Saúde Pública na FMUP

A médica de família Dagmara Kondek Paiva (USF Monte Murado) concluiu as suas provas de doutoramento em Saúde Pública com êxito na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), com a tese “Lost in translation: health literacy in type 2 diabetes mellitus care”. Ana Azevedo foi a orientadora da tese e Susana Silva a coorientadora. O júri das provas foi presidido por Raquel Soares, integrando ainda Nuno Lunet, José Azevedo, Rita Espanha e Bruno Heleno (estes dois últimos como arguentes). O objetivo da tese foi o de produzir uma base para a avaliação da literacia em saúde e gerar recomendações para a comunicação centrada no pacientes nas consultas de diabetes mellitus tipo 2 em Portugal. Conheça um pouco melhor este trabalho, através das palavras da própria autora.

Qual o título da sua tese e que matérias específicas abordou no seu trabalho?

O título da tese é “Lost in translation: health literacy in type 2 diabetes mellitus care“. A tese aborda a definição e a medição de literacia em saúde e produz recomendações para a comunicação centrada nos doentes, no contexto clínico da diabetes tipo 2. Usámos um desenho multimétodo, incluindo metodologias quantitativas e qualitativas, para validar três instrumentos de avaliação de literacia em saúde, compará-los entre si, com um dos instrumentos estimar a prevalência de literacia em saúde inadequada em Portugal e, no contexto da diabetes tipo 2, explorar as barreiras e os facilitadores à comunicação centrada nos doentes.

O que a levou a escolher tal tema?

Creio que sempre me interroguei sobre as razões por detrás dos comportamentos de saúde das pessoas. E a literacia em saúde das pessoas, isto é, o conjunto das suas competências para obter, compreender e usar informação de saúde, é um determinante muito importante desses comportamentos. A diabetes tipo 2 é um modelo particularmente útil para estudar a literacia em saúde, não só porque exige muito em termos de literacia em saúde das pessoas com diabetes tipo 2 para executar com sucesso as recomendações de estilo de vida, gestão da medicação e da vigilância da doença, como exige muito dos profissionais de saúde em suportar as recomendações que fazem, não só para se conseguirem manter a par da melhor evidência disponível, mas também para conseguirem comunicar essa evidência e as recomendações às pessoas com diabetes, motivando-as para comportamentos mais saudáveis.

Como conseguiu compatibilizar os desafios do doutoramento com a sua atividade clínica?

Tive muita dificuldade. Depois de um período de 60 dias de equiparação a bolseiro concedido pela ARS Norte em 2016, em que avancei mais do que nos dois anos anteriores, percebi que se não parasse durante uns meses para me dedicar a tempo inteiro à investigação, dificilmente conseguiria terminar o doutoramento. Por isso, passei a maior parte do ano de 2017 com licença sem vencimento para o conseguir fazer. Agora que terminei, ainda não consegui encontrar um equilíbrio para conseguir fazer as duas coisas que adoro: clínica e investigação.

Considera que a promoção da literacia em saúde e o aperfeiçoamento da comunicação clínica são áreas ainda negligenciadas pela maioria dos profissionais que trabalham nos CSP?

Creio que a Medicina Geral e Familiar está numa posição privilegiada em relação às restantes especialidades, pelo investimento que tem sido feito na comunicação clínica e na relação médico-doente, mas os resultados desta tese mostram que ainda temos um longo caminho a percorrer. Uma questão que me parece essencial é o investimento na formação em comunicação clínica de todos os profissionais de saúde. Tem-se investido sobretudo no aperfeiçoamento técnico e em normas de orientação clínica, que aliás não incluem, com algumas raras exceções, as preferências dos doentes e devem passar a incluir. Precisamos de investir em treinar os profissionais de saúde em como melhor comunicar os utentes e uns com os outros e creio que isso só é possível se começarmos a colocar o mesmo peso na avaliação das competências técnicas e avaliação das competências de comunicação, tanto no ensino pré-e pós-graduado como na formação contínua. Adicionalmente, é fundamental voltar a colocar a relação entre os profissionais de saúde e os doentes no centro dos cuidados de saúde e incluir todos os envolvidos no desenho dos serviços de saúde, para melhorar a literacia em saúde dos utentes, dos profissionais, das instituições de saúde e dos governantes.

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