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Saúde Pública tem poucos recursos humanos e financeiros

Ricardo Mexia alerta na tomada de posse dos órgãos da ANMSP:

“Há uma grande carência de recursos humanos ao nível da Saúde Pública. E ainda por cima, essa carência é assimétrica, porque temos uma distribuição muito desigual destes recursos ao longo do país. E aqui, não posso deixar de referir as regiões autónomas, onde a situação é de facto dramática. Temos pouquíssimos médicos de Saúde Pública das regiões autónomas, algo que seguramente vamos tentar corrigir num horizonte mais breve”, alertou Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), durante a tomada de posse dos órgãos sociais da instituição para o triénio 2019-2021.

O presidente reempossado da ANMSP salientou também na sua intervenção outro tipo de carência que afeta a especialidade: “os recursos financeiros para os serviços de Saúde Pública são escassos. Somos, muitas vezes, o patinho feio. Isto porque perante a pressão assistencial os recursos são desviados para outras funções e, também, porque muitas vezes não conseguimos explicar aos nossos conselhos de administração ou direções executivas o que acontece se não existirem médicos ou serviços de Saúde Pública”.

Ricardo Mexia garantiu que a nova direção vai batalhar pela reforma da Saúde Pública, para que esta possa “finalmente ser uma realidade. Não com a lei que atualmente está estacionada no parlamento – porque entendemos que não serve os interesses da Saúde Pública e dos portugueses – mas através de um documento com uma reflexão diferente, mais abrangente”. O mesmo dirigente lembrou que os médicos de Saúde Pública “não aceitam que os acantonem nos centros de saúde, porque a Saúde Pública não se esgota nos cuidados de saúde primários” e exigiu que se ponha um fim às “juntas médicas de incapacidade, este flagelo que aflige as Unidades de Saúde Pública pelo país fora. Juntas que são, efetivamente, de incapacidade, na medida em que geram a incapacidade de fazermos aquilo que é mesmo importante. Temos de encontrar uma solução que permita suprir as necessidades dos cidadãos, mas conciliando essas necessidades com aquilo que são as nossas funções essenciais. Até porque dificilmente se pode argumentar que a realização de juntas médicas de incapacidade gera ganhos em saúde”.

Convidada de honra na tomada de posse dos órgãos da ANMSP, Maria de Belém Roseira reforçou a importância da Saúde Pública no SNS e do trabalho que quer a Associação, quer a sociedade em geral, podem fazer na defesa dos seus valores essenciais: “temos de investir mais na promoção da saúde e prevenção da doença, se queremos chegar a uma real sustentabilidade do sistema de saúde. E este é um contexto no qual a especialidade de Saúde Pública intervém, em conjunto com outros atores”.

A equipa liderada por Ricardo Mexia (que já esteve à frente da sociedade científica nos últimos três anos), promete no seu programa contribuir para a definição da organização dos Serviços de Saúde Pública e na alocação de recursos materiais e humanos necessários, criar grupos de trabalho para discussão de temas relevantes e elaboração de documentos técnicos que se baseiem na melhor evidência disponível, promover a produção de conteúdos de divulgação da atividade dos médicos de Saúde Pública e organizar o Fórum Nacional de Saúde Pública, a intercalar com o Congresso Nacional de Saúde Pública, entre outras medidas.

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