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Miguel Guimarães não admite desvalorização dos médicos portugueses

Médicos e enfermeiros de costas voltadas?

“Não aceitamos que tentem desvalorizar o nosso papel num Serviço Nacional de Saúde – SNS – que ajudámos a construir e que queremos ver fortalecido. Lamentamos as afirmações irresponsáveis de quem pretende atingir objetivos tentando desqualificar os médicos e induzir um clima de conflitualidade, que ninguém obviamente deseja. Exigimos respeito por quem defende os doentes e luta todos os dias para manter o SNS acima da linha de água”, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, em resposta direta a declarações proferidas ontem num espaço de informação televisivo por Lúcia Leite, presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE). Aquela dirigente garantiu não se compreender “que os enfermeiros especialistas de Saúde Materna ou os outros enfermeiros especialistas possam ganhar abaixo dos 1600 euros mensais, enquanto por exemplo um médico no início da sua carreira ganha 1500 euros e não pode sequer tomar decisões”.

Para Miguel Guimarães em causa está, sobretudo, uma desconsideração óbvia das funções e da importância dos médicos internos para os cuidados de saúde prestados aos portugueses, sem cuja contribuição o SNS colapsaria.

As declarações proferidas hoje em conferência de imprensa pelo bastonário da OM surgem após Francisco Ramos, secretário de Estado Adjunto da Saúde, ter suspendido as relações institucionais com a Ordem dos Enfermeiros na sequência das posições e declarações da bastonária sobre a greve em blocos operatórios. A suspensão temporária das relações foi comunicada pelo Ministério em reunião com a bastonária Ana Rita Cavaco. Numa nota enviada à comunicação social, o gabinete do secretário de Estado Francisco Ramos considera “não existirem condições para dar continuidade às reuniões regulares com a Ordem dos Enfermeiros”, por entender que a sua bastonária, Ana Rita Cavaco, “tem extravasado as atribuições da associação profissional que representa”. A decisão tem por base as posições que têm sido tomadas pela Bastonária da OE em sucessivas ocasiões e, em particular, “no que diz respeito à greve «cirúrgica», que tem vindo a apoiar publicamente, incentivando à participação dos profissionais. A mais recente greve «cirúrgica» tem vindo a afetar vários centros hospitalares do Serviço Nacional de Saúde e, desde dia 31 janeiro, já levou ao cancelamento de mais de 650 cirurgias”, pode ler-se na nota.

Em declarações à agência Lusa, a bastonária da OE explicou que a decisão do executivo lhe foi comunicada hoje, durante uma reunião de trabalho. Ana Rita Cavaco acrescentou ainda que o governo tem “dois pesos e duas medidas” em relação ao apoio das ordens profissionais à greve e recorda que, no ano passado, aquando da greve dos médicos, o bastonário dessa classe também apoiou a paralisação e chegou a prestar declarações públicas com os sindicatos na sede da Ordem.


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