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MF querem mais formação contínua sobre espondilite anquilosante e melhores vias de referenciação

Dados do projeto arEA apresentados publicamente:

Um total de 86% dos médicos especialistas em MGF revela interesse em obter mais formação contínua sobre a espondilite anquilosante (EA) e 73% assegura que não existe um protocolo de referenciação entre o seu ACeS e o hospital de referência, para encaminhar estes doentes. Estes resultados derivam de um inquérito on-line realizado a médicos de família (MF) no âmbito do projeto arEA – desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS) e que teve como objetivo estudar o efeito da doença nos diferentes componentes da qualidade de vida dos doentes, a perceção da doença nos profissionais de saúde e as razões para um diagnóstico tardio e o impacto económico da doença. O estudo foi apoiado pela sociedade Portuguesa de Reumatologia, Associação Nacional de Espondilite Anquilosante, Liga Portuguesa contra as Doenças Reumáticas, APMGF e USF-AN e apresentado publicamente durante a conferência «Doença Crónica – Saúde, Trabalho e Sociedade – Políticas públicas, que medidas a implementar?».

“O facto de 86% dos MF desejarem ter formação contínua centrada na EA cria alguma responsabilidade para todas as partes envolvidas, até no sentido de levar a que estes profissionais tenham a possibilidade de obter noções (epidemiológicas e outras) mais apuradas sobre uma doença que ainda é vista como relativamente rara. Sem dúvida que os MF devem estar cada mais sensíveis aos primeiros sinais da doença, de forma a que se possa diagnosticar a patologia em menos tempo, face ao que acontece no presente”, sublinhou na apresentação do estudo o vice-presidente da APMGF, Jorge Brandão, que prometeu também um particular esforço e investimento da Associação em incluir esta temática nas suas futuras ações de formação e atualização.

Jorge Brandão aludiu também ao problema das dificuldades de referenciação e ligação entre a MGF e a Reumatologia, vividas um pouco por todo ao país e que contribuem para que o doente muitas vezes receba cuidados diferenciados numa fase já tardia da doença: “têm de existir outras vias de referenciação para além daquela que é permitida pelo Alert (sabemos todos dos enormes tempos de espera para algumas especialidades), face à necessidade urgente de referenciar estas pessoas, que têm uma patologia que exige ser encaminhada em tempo útil para correta intervenção. Tais vias verdes de referenciação podem passar por protocolos entre unidades, ou a criação de unidades funcionais de ligação que reúnem os ACeS e os serviços de Reumatologia, como já acontece num centro hospitalar da região centro, que «escancarou» – de modo organizado, como é óbvio – as suas portas para a referenciação destas patologias que exigem celeridade”.

O reumatologista Filipe Araújo frisa que esta experiência importante, desenvolvida a partir do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, é um bom caminho a replicar noutros pontos do território. Porém, acrescenta que problema da ligação entre as especialidades e do encurtamento do tempo até um diagnóstico passa sobretudo pelo aumento significativo do número de reumatologistas no país: “estima-se que sejam necessários cerca de 230 no SNS e atualmente eles não chegam a metade disso”.

A auscultação aos MF permitiu perceber que 90% destes profissionais consideram que o diagnóstico da EA é feito tardiamente, com 32% da amostra inquirida a estimar que esse atraso se situa no intervalo entre os cinco e os dez anos.

Relevantes dados foram também obtidos dos questionários preenchidos por doentes com EA. Assim, chegou-se à conclusão de que estes doentes tiveram, em média, de recorrer a baixa médica durante 25 dias, nos últimos 12 meses, com um impacto económico estimado de 57 milhões de euros. O impacto económico anual da doença (incluindo dias de dispensa, baixa temporária, baixa permanente, perdidos por via da produtividade, de desemprego e dias de ausência laboral para familiares) foi calculado em 437 milhões de euros anuais.

Uso de biológicos/biossimilares, tempo para diagnóstico e sistemas de saúde utilizados influenciam estado de saúde dos doentes e custos da EA

No que respeita aos custos globais para a economia gerados pela doença, o projeto arEA estimou que estes se situarão em 471 milhões de euros anuais, cerca de 10 mil euros por doente. “Estudámos todas as variáveis que pudessem afetar os outcomes e quatro mostraram ter efeito estatístico significativo no estado de saúde, custos para o SNS e custos para economia, a saber o tipo de medicamento tomado, o género do indivíduo, o tempo decorrido até ao diagnóstico e o sistema de saúde utilizado. Diga-se, a propósito, que se o doente for diagnosticado oportunamente (em menos de um ano) o seu impacto nefasto para a economia reduz-se em mais de 1600 euros anuais, se tomar medicação biológica ou biossimilar terá quase menos 3500 euros de impacto anual negativo e se apostar na complementaridade de serviços entre SNS e sistema privado de saúde acrescentará mais uma redução de cerca de mil euros no impacto negativo para a economia nacional”, referiu na apresentação do estudo o diretor da NOVA IMS, Pedro Simões Coelho.

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