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Escola da Primavera viajou até à região centro e retoma tónica de itinerância

Com cinco cursos concorridos

A Escola da Primavera da APMGF fez a sua estreia nas Termas do Bicanho, com um total de 185 participantes e perto de 150 formandos, distribuídos por cinco cursos: «Nutrição em MGF», «Atividade Física em MGF», «Doenças Respiratórias Agudas», «Dor Crónica» e «Comportamentos Aditivos».

Manuela Ambrósio, membro do Departamento de Formação da APMGF, considerou esta Escola como “muito positiva do ponto de vista científico, com os formandos sempre atentos e um cumprimento exemplar dos horários”. Relativamente à nova localização da Escola, Manuela Ambrósio salienta que embora de acesso um pouco mais complicado do que o habitual, “se revelou muito sossegada e tranquilizante. O facto de ser mais isolada contribuiu para que as pessoas se concentrassem bastante nas atividades dos cursos”. Ainda de acordo com a representante do Departamento de Formação, esta deslocação da Escola até à região centro pode marcar um feliz regresso ao passado, com a iniciativa a retomar uma lógica de itinerância: “no principio da Escola, percorremos o país com formações, em hotéis termais. Passamos, assim, por locais como o Luso, o Vimeiro, ou a Curia”.

José Luís Themudo Barata, diretor do Serviço de Nutrição e Atividade Física do Centro Hospitalar da Cova da Beira foi o coordenador científico dos cursos de Nutrição e Atividade Física. “Estes dois cursos ligam muito bem entre si e fizemos, inclusive, algumas sessões conjuntas, com discussão de casos clínicos, com o curso de Nutrição a apresentar as suas propostas alimentares para os vários casos postos à discussão e o curso de Atividade Física a introduzir propostas de atividade física para os mesmos casos, observando-se a complementaridade daí resultante”, conclui Themudo Barata.

Miguel Duarte, da USF Santa Maria (Tomar), veio pela primeira vez às Escolas e escolheu o curso de Atividade Física: “este é um tema algo esquecido e muito importante, tendo em conta que a atividade física é um dos principais fatores de risco modificáveis na nossa população. É, pois, um elemento base para a prevenção que podemos fazer enquanto médicos de família. A questão fundamental é saber como podemos avançar e aconselhar de forma segura”. Desta Escola de Primavera, Miguel Duarte retira como principal ensinamento a ser aplicado rapidamente em consulta “a noção das restrições de atividade física a ter em conta, de acordo com as patologias e limitações das pessoas. O que é seguro ou aconselhável a determinado indivíduo, do ponto de vista da atividade física. Em suma, a capacidade de melhor personalizar as recomendações”.

Ângelo Pereira, da equipa coordenadora da Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (DICAD) da ARSLVT, afirma que o curso de Comportamentos Aditivos que ajudou a desenvolver na Escola “tentou abordar esta problemática nas suas diversas áreas de intervenção, da prevenção à redução de risco, tratamento e reinserção e minimização de danos”. O mesmo responsável acredita que o trabalho a realizar na área dos comportamentos aditivos “tem de ser feito no enquadramento da rede de unidades de cuidados e por isso abordamos aqui em profundidade a questão da referenciação e dos papéis desempenhados pelas unidades dos cuidados primários, unidades hospitalares especializadas e todos os organismos que intervêm neste domínio, a nível comunitário. Reforçámos, portanto, esta perspetiva integrada e de trabalho em rede, porque muitos dos projetos e programas têm a sua porta de entrada nos CSP, que podem fazer o despiste e uma intervenção breve, mas que depois têm muitas vezes a necessidade de fazer a referenciação para unidades especializadas. Aliás, um dos principais objetivos deste curso foi, na realidade, reforçar a importância da articulação entre CSP e unidades de intervenções especializadas”.

Ana Madeira, recém-especialista da USF Afonsoeiro (Montijo) foi uma das participantes neste curso de Comportamentos Aditivos. “Esta é uma área em que não temos formação nas escolas médicas e trata-se de um problema com o qual nos deparamos com muita frequência”, recorda Ana Madeira, que saiu da Escola com a consciência de que pode “fazer a referenciação e comunicar diretamente com as equipas de tratamento (no meu caso particular do Barreiro). Até ao presente, a informação que tinha era a de que os utentes deveriam procurar autonomamente respostas de tratamento e, na prática, não é isso que se verifica. Acredito que, daqui em diante, começarei a referenciar muito mais doentes”.

O Curso de Doenças Respiratórias Agudas, organizado pelo GRESP, voltou às Escolas da APMGF após um hiato (a primeira edição realizou-se em 2016) e integrou duas áreas antes não exploradas, o tromboembolismo pulmonar e o trauma das vias aéreas. Um dos oito formadores da equipa, José Augusto Simões, assegura que as situações clínicas abordadas neste curso “pertencem ao dia-a-dia do médico de família, comuns na consulta do mesmo e para quais temos de dar resposta”. O formador explica que durante o curso “se procurou manter uma filosofia contínua de interatividade, estimulando o diálogo, nomeadamente através da apresentação de casos clínicos”.

Rodrigo Mendes, da USF Lusitana (ACeS Dão Lafões), participou neste curso e avaliou como “muito positiva a atualização na componente terapêutica, para um tipo de situações que é muito prevalente. Os formadores envolveram-nos sempre na discussão, através de um enquadramento nas normas e da apresentação de casos clínicos. De forma geral, o curso mostrou-se muito equilibrado e adequado, quer termos teóricos, quer em termos práticos e interativos”.


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