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Humanismo é faceta inseparável da MGF

18º ENIJMF

Em Évora poderá participar numa sessão do 18º Encontro de
Internos e Jovens Médicos de Família concentrada em algumas das
atividades mais nobres que um médico de família pode desenvolver,
em favor de comunidades (longínquas ou não) carecidas de especial
atenção.

A
mesa «MGF Humanitária»partirá do relato das experiências
pessoais dos médicos Martino Gliozzi (coordenador da Unidade de
Saúde Familiar da Baixa), Ana Paula Cruz (médica interna de
Medicina Geral e Familiar com formação em ação humanitária) e
Sara Rigon, para debater a diferença positiva que a MGF consegue
fazer no mundo, quando os médicos de família se envolvem de corpo e
alma em iniciativas, campanhas e ideias concebidas com um espírito
humanitário, quer estas se concretizem no nosso país e na nossa
comunidade, quer no estrangeiro e vocacionadas para populações
sobre as quais pouco conhecemos à partida.

Neste
âmbito, o médico de origem italiana Martino Gliozzi não deixará
de sinalizar as conquistas, mas também os obstáculos e as dúvidas
que têm marcado a atuação da USF da Baixa (Lisboa) e dos seus
profissionais, divididos por múltiplos projetos que procuram
melhorar a qualidade de vida e a integração de uma população
extremamente diversa, do ponto de vista social, cultural e étnico.
Mas Martino falará também, certamente, da sua passagem em trabalho
por países como o Brasil, a Tanzânia, ou Moçambique.

Mas
se há quem dê azo ao seu humanismo médico dentro de portas, também
se encontram bons exemplos de tal conduta fora de Portugal. Ana Paula
Cruz, apesar de ser ainda uma jovem, acumula já um conjunto
impressionante de vivências além-fronteiras, em contexto de
assistência humanitária, tendo passado por locais como Moçambique,
Angola, Grécia ou Bangladesh. “Durante os últimos anos aprendi
muito sobre o que é ser médica fora da tranquilidade e segurança
dum consultório tal como o conhecemos. Entre os campos de refugiados
em Lesbos, na fronteira com o Congo ou no Bangladesh e, mais
recentemente, em Moçambique na resposta de emergência após o
ciclone Idai ou no Mar Mediterrâneo em missão de resgate e
salvamento, nunca me pareceu tão urgente sermos do mundo. E usarmos
as nossas capacidades médicas e científicas que, privilegiadamente,
nos permitem cuidar de todos como um todo, usando os nossos cuidados
como fonte de dignidade e esperança, num mundo onde palavras como
estas escasseiam”, explica Ana Paula Cruz.

A
médica italiana Sara Rigon é outro caso paradigmático de alguém
que preferiu não ficar de braços cruzados perante as iniquidades
que nos assaltam diariamente. Colaboradora dos Médicos sem
Fronteiras e uma cidadã do mundo (já exerceu em Itália e na Nova
Zelândia e contribui, de modo regular, para projetos sanitários e
de apoio humanitário em todo o globo), Sara Rigon é presença
habitual em territórios delicados: “tenho trabalhado no contexto
humanitário nos últimos três anos. Estive duas vezes no Haiti, no
Iraque durante o conflito para libertar Mosul das garras do ISIS e no
Bangladesh, com vista a ajudar a população Rohingya que escapava à
morte e à retaliação no seu país natal, Myanmar. As pessoas
costumam perguntar porque trabalho em locais tão remotos e
perigosos, quando podia estar a praticar Medicina Familiar perto de
família e amigos. Não é fácil de explicar, por isso regra geral
peço emprestadas algumas palavras de James Baldwin, um dos meus
autores favoritos e celebrado ativista americano: trabalhar como
médico humanitário permitiu-me «descobrir que a linha separadora
entre testemunha e ator é efetivamente muito ténue»”.

Para
Sara Rigon, “trabalhar como médico humanitário pode ser muitas
coisas em simultâneo: excitante, frustrante, cansativo,
recompensador, desolador, perigoso e muito mais. Se tivesse de
descrever a sensação com uma única palavra, essa palavra seria
privilégio. Privilégio que surge associado a um elevado custo
pessoal, mas também a uma grande recompensa, até porque nada que
vale a pena fazer na vida é fácil”.

A
médica italiana sublinha, ainda, que todos aqueles que estejam
interessados em dar algo de si neste campo não necessitam de cruzar
o planeta para o fazer: “a Medicina humanitária pode soar como
algo entusiasmante e exótico, contudo não precisamos de viajar para
o outro lado do mundo com vista a dar o nosso contributo, mostrar
compaixão e retificar injustiças. Enquanto médicos de família,
podemos praticar Medicina humanitária todos os dias, praticamente em
qualquer local, inclusive na esquina da nossa rua ou, em muitos
casos, no nosso próprio consultório”.




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