Em defesa da caminhada como arma terapêutica

O Grupo de Estudos de Nutrição e Exercício Físico (GENEF) da APMGF promoveu em Évora o workshop «Caminhar é uma atividade aeróbica dinâmica e rítmica». O futuro dos CSP passa por uma maior abertura à comunidade, na promoção ativa da saúde e não só no tratamento da doença. No entanto, existe ainda alguma dificuldade por parte dos médicos na prescrição de exercício físico, nas suas diversas opções, entre as quais se encontra a caminhada, um tipo de exercício aeróbico excelente como meio preventivo e terapêutico.

Pedro Prata, do GENEF, recorda que “caminhar é uma atividade aeróbica dinâmica, rítmica e de baixo impacto envolvendo uma série de músculos, conferindo múltiplos benefícios com poucos efeitos adversos e baixos recursos económicos. Segundo a American Heart Association, é a atividade física com a menor taxa de desistência, sendo segura para pessoas com problemas ortopédicos, cardíacos ou com mais de 20% de excesso de peso. É igualmente terapêutica do ponto de vista psicológico e da dimensão social”.

O representante do GENEF assegura também que os participantes neste workshop “aprenderam e reforçaram certos conceitos ligados à atividade física, como intensidade, duração, especificidade, frequência e de como utilizá-los para fazer da prática da atividade física um medicamento, tal e qual como prescrevem uma determinada posologia de um determinado princípio ativo. Pretende-se, igualmente, apresentar alguns projetos na comunidade que promovem a atividade física, como são organizados e dinamizados, podendo os colegas «copiar» esses exemplos e aplicá-los nas suas unidades de saúde”.

O objetivo deste workshop passava por incentivar as pessoas a formarem grupos de caminhadas e dar-lhes algumas ferramentas em termos de prescrição e aconselhamento em exercício físico. Mostrámos também alguns exemplos que temos nas nossas unidades, de modo a dar um impulso aos colegas, ao mesmo tempo que desmistificámos alguns mitos”, explica Catarina Catroga, médica interna na USF Carcavelos e coordenadora do projeto de caminhada «Dar corda aos ténis».

Uma das participantes entusiásticas desta formação, Francisca Topa (USF Carnide Quer), assegura que se inscreveu porque desde há algum tempo que procura lançar um desafio de caminhada aos utentes da sua unidade: “tinha a ideia prévia de lançar um projeto de caminhada na minha unidade e penso que nós, profissionais de saúde, temos um papel importantíssimo como testemunhas e exemplos de hábitos de vida saudáveis, lado a lado com os nossos doentes”. Francisca Topa não tem dúvidas de que “médico de família tem o dever, para com os utentes, de incentivar à prática do exercício físico” e pessoalmente encara a prescrição do exercício físico da mesma forma que olha para a prescrição de um fármaco, ou para qualquer outro tipo de aconselhamento. “O tempo global em consulta pode não ser o mais adequado, mas cabe-nos priorizar esta necessidade e encaixá-la na consulta, tal qual fazemos com as guias de tratamento que passamos para as mãos dos nossos doentes”, conclui.

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