AssociaçãoGEMRInternacional & Cooperação
0

Inovação e compromisso político podem ajudar a ultrapassar limitações da ruralidade

IX EURIPA Forum e 18ªs Jornadas de MGF dos Açores

Oferecer cuidados de saúde em ambiente rural e isolado é uma missão envolta em obstáculos e desafios (sobretudo devido às desigualdades gritantes que existem em muitas destas regiões remotas), como ficou comprovado pelos múltiplos debates realizados durante os três dias do IX EURIPA Forum e 18ªs Jornadas de MGF dos Açores, em Ponta Delgada. Mas tal não significa que não se possam fazer avanços significativos na melhoria dos cuidados prestados e da organização das equipas de saúde, ou que os profissionais de saúde que trabalham nestes meios se devam entregar a fatalismos.

Uma das formas de avançar de modo seguro passa por garantir que existe um engajamento claro que de quem lidera e de quem beneficia do sistema de saúde, como recordou durante o evento Ana Barata, jovem médica de família portuguesa e representante do Movimento Vasco da Gama no Comité Executivo da WONCA Mundial, convidada para falar nos Açores sobre o mundo rural e a sua influência na forma de exercer Medicina:  “têm de ser adotadas estratégias para ajudar no desígnio de maior equidade e melhor acesso a cuidados de saúde nestas áreas. Isto significa que devemos exigir um compromisso político, no sentido de serem desenvolvidas e implementadas politicas públicas especificamente vocacionadas para as áreas rurais e isoladas. Mas nem tudo está dependente do compromisso político. É também necessário que exista um diálogo e um compromisso social em cada país, que se discutam publicamente estas desigualdades e problemas, com vista à obtenção de recursos que permitam mudar a situação vigente ”.

A inovação tecnológica é outra forma de encurtar distância nos universos rurais/isolados e muitas têm sido as transformações digitais que, nos últimos anos, favorecem a proximidade entre profissionais e doentes e entre os próprios profissionais, que necessitam do respaldo de uma comunidade científica que partilhe conhecimentos, resultados experiências e ideias. Nos Açores, José Luís Biscaia, médico de família na Figueira Foz, apresentou projetos nacionais (como o BI dos CSP) e internacionais com preponderância nesta área, recordando que no presente não é o estado de desenvolvimento da tecnologia que impede a concretização das aspirações que os MF possam ter ao nível das ferramentas de informação: “muitas das coisas que desejamos nas ferramentas digitais já são hoje plenamente possíveis, falta apenas a vontade e a decisão de quem manda de integrar as tecnologias nos moldes de que necessitamos”.

 

 

 

 

Leia Também

Associação solidariza-se com greve nacional de médicos

Total de médicos de família cresce de forma significativa no Brasil

OCDE assegura que portugueses apreciam serviços nos CSP mas recomenda alargamento de horários

Recentes

Menu