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30 anos de rede celebrados a preceito

Reunião da Rede Médicos Sentinela

A Rede Médicos Sentinela celebra este ano 30 anos de existência e a sua reunião anual terá um formato especial, dividindo-se por dois dias (28 e 29 de novembro), com uma conferência na jornada de abertura. Pode inscrever-se na reunião e garantir a sua presença neste acontecimento histórico, que terá lugar no Auditório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Consulte o programa provisório.

Segundo Ana Paula Rodrigues, coordenadora da rede, a conferência que dá início ao evento “tem como objetivo recordar o percurso da Rede Médicos Sentinela ao longo de três décadas de história, integrando-a no contexto social e epidemiológico de Portugal e cruzando-a com os percursos individuais de vários médicos que integraram ou estiveram à frente da Rede. Vamos também falar das conquistas da Rede neste período, em particular do conhecimento alcançado através dos nossos estudos. Tenho por isso grande expectativa que seja um momento de partilha de experiências entre nós”. Durante a reunião propriamente dita, serão apresentados “resultados de alguns estudos desenvolvidos no ano de 2019, nomeadamente o estudo sobre patologia benigna da tiroide e cancro da mama, os resultados da vigilância da gripe no inverno passado e as estimativas de incidência e abordagem terapêutica da insónia na população portuguesa”, explica aquela responsável.

Outra mesa central envolve a apresentação dos novos desafios para 2020. Segundo Ana Paula Rodrigues, “esta mesa, por excelência, deverá ser aquela que suscitará mais discussão, pois o processo de decisão dos temas a estudar no futuro é aberto à participação de todos os participantes (…) Os temas propostos este ano têm várias origens. Temos temas propostos por médicos-sentinela, como é o caso do estudo da insuficiência cardíaca e o estudo da qualidade de vida nas pessoas com insónia, mas também temas propostos por entidades externas, como é o caso do estudo das reações adversas a medicamentos na prática de Medicina Geral e Familiar. A proposta de temas pelos médicos que constituem a Rede é sinal da sua vitalidade, por outro lado as propostas externas mostram o reconhecimento externo do trabalho da Rede Médicos-Sentinela e apresentam-se como interessantes possibilidades de parcerias”.

Três décadas: oportunidade para refletir sobre o passado e projetar o futuro

Como já foi mencionado, a Reunião da Rede Médicos Sentinela será precedida de uma conferência sobre a história e o percurso deste projeto de enorme valia em termos de saúde pública, para a qual foram convidados muitos daqueles que participaram na consolidação do mesmo. É o caso de Isabel Marinho Falcão, médica integrada nos quadros da Direção-Geral da Saúde e que durante muitos anos coordenou a rede.

“A Rede Médicos-Sentinela tem contribuído, decisivamente, desde 1989, para a vigilância de numerosas doenças e situações de saúde com impacto na saúde dos portugueses. Saliento o papel preponderante que a Rede tem tido na vigilância da gripe e que se mantém até aos dias de hoje e, não menos importante, as estimativas de incidência de várias doenças, que permitiram a construção, durante cerca de 30 anos, de séries temporais de inestimável valor para a comunidade científica. A informação gerada pela Rede tem contribuído, indubitavelmente, para a melhoria do conhecimento científico e para apoiar os decisores políticos na tomada atempada e adequada de medidas de saúde pública”, sublinha Isabel Marinho Falcão.

Na perspetiva da antiga coordenadora, “o elemento-chave para o sucesso desta Rede tem sido a motivação, a determinação e a eficácia do grupo de médicos voluntários que a integram”. Já sobre o que se pode esperar da estrutura para os próximos 30 anos, Isabel Marinho Falcão acredita ser “expectável que, no futuro, novos sistemas de informação em saúde, apoiados em tecnologias de ponta, assumam cada vez maior relevância, obrigando a alterar a dinâmica desta Rede ou substituindo-a, porventura, nalgumas situações. Ainda assim, acredito que haverá sempre necessidades de investigação e de «medição» de saúde para as quais esta Rede, pelas características da sua componente humana, continuará a ser o «instrumento» mais adequado”.

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