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Bem vindos à melhor especialidade do mundo

A Norte, este ano foram acolhidos na MGF 184 profissionais, graças sobretudo a uma grande capacidade instalada para formar estes jovens médicos, como nos relatou a coordenadora do internato de MGF na Região Norte, Maria da Luz Loureiro: “temos muitas unidades de saúde familiar em atividade e muita gente jovem, na fase da carreira em que revela desejo de ensinar. De facto, muitos colegas, três a quatros anos após se tornarem especialistas, veem com bons olhos tornarem-se orientadores de formação, porque de outra forma sentem-se a estagnar. A presença de internos é, sem dúvida, um motor para a evolução”.

Ainda que a tradição formativa esteja consolidada na Região Norte do país, do ponto de vista logístico e de organização, a Coordenação de Internato de MGF na ARS do Norte tem enfrentado alguns problemas complicados, por falta de recursos humanos que possibilitem gerir esta enorme «máquina formativa». “Tivemos que dividir algumas direções de internato, de forma a colmatar lacunas. Ansiamos, portanto, por ter mais recursos do ponto de vista do secretariado administrativo, assim como uma boa base de dados que seja facilmente acessível às direções de internato mais distantes”, esclarece Maria da Luz Loureiro. A coordenadora gostaria também de expandir geograficamente a formação, com maior número de internos para lá do Marão, na Região Nordeste, alargando assim o mapa formativo e reduzindo a dependência das unidades situadas nos grandes centros urbanos de Porto e Braga. Mas, para tal, é fundamental que mais médicos de família no início ou meio da carreira se fixem nesses locais, criando grupos formativos coesos.

João Morais Louçano, que realizará o seu internato na USF Camélias, confessa que fez a sua escolha por esta especialidade devido à “abrangência da MGF. A isto adiciona-se o contacto regular com o doente, que é seguido ao longo de muitos anos, desde o nascimento até ao fim de vida, algo que diferencia a MGF da maioria das especialidades hospitalares. O médico de família é, de facto, o médico do doente, a que este pode recorrer no dia-a-dia, enquanto os outros colegas intervêm para situações muito específicas”. Já Patrícia Lourenço Lopes, colocada na USF Covelo, inicialmente previa ingressar em Pediatria, mas fez uma inflexão de rumo motivada pelos valores centrais da MGF: “a minha ambição, no início, era a de ser pediatra. Mas depois apercebi-me que na MGF também temos o contacto com crianças (porventura até maior contacto com as crianças saudáveis), o que me fez colocar de lado a Pediatria. Além do mais, temos intervenção em todas as outras faixas etárias. O facto de não sermos forçados a praticar urgências e de trabalharmos num ambiente bem diferente do hospitalar, pesou igualmente na minha decisão”.

A jovem médica não duvida que sofrerá contrariedades durante um internato exigente, mas crê que dificuldades transitórias como a habituação ao contexto dos CSP e a comunicação inicial com os utentes poderão ser ultrapassadas com “o apoio da USF e da coordenação do internato”.

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