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Portugueses instigados pela pandemia alteram hábitos tabágicos, alimentares e de exercício

Em resultado da pandemia em curso provocada pelo SARS-CoV-2 muitos portugueses parecem estar a mudar o seu estilo de vida (para o bem e para o mal), em particular ao nível do consumo de produtos associados ao tabaco e no que respeita à alimentação e exercício físico. Esta é a ilação que se pode retirar de dois inquéritos cujos resultados foram revelados recentemente.

O primeiro destes inquéritos, que congregou perto de mil respostas, foi realizado on-line e é da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP). Mostra que um terço dos inquiridos que responderam a questões acerca dos seus hábitos tabágicos durante o confinamento indicou ter cessado ou diminuído o consumo de tabaco devido à pandemia, ainda que pouco mais de um quarto tenha aumentado o consumo. Outro dado relevante é o facto de quase metade ter procurado deixar de fumar, mesmo na ausência de qualquer ajuda específica.

Do ponto de vista da alimentação, as notícias são menos positivas. Assim, os resultados preliminares do Inquérito Nacional sobre Hábitos Alimentares e Atividade Física, realizado em parceria pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (com uma amostra de 5.874 indivíduos maiores de 16 anos), mostram que aproximadamente 45% dos inquiridos afirmam ter mudado hábitos alimentares durante o período de confinamento, com quase 42% a admitirem ter sido para pior, sendo que mais de metade diminuiu a atividade física.

Entre os motivos apontados pelos participantes que alteraram os comportamentos alimentares durante o confinamento estão variáveis como a perturbação da frequência das compras (34,3%), as mudanças no apetite (19,3%), o stresse (18,6%), ou as alterações do horário de trabalho (17,6%). O receio da situação económica (10,3%) foi outro determinante das alterações alimentares, com um terço a manifestar preocupação com uma eventual dificuldade no acesso a alimentos e 8,3% a relatar ter mesmo dificuldades económicas. O estudo indica que os inquiridos passaram a comer mais em casa (56,9% passaram a cozinhar mais), reduzindo o consumo de refeições pré-preparadas (40,7%) ou de take-away (43,8%). Porém, cerca de 31% passaram a consumir mais snacks doces, 31,4% aumentaram a frequência de ingestão fora de refeições, enquanto 29,7% aumentaram o consumo de fruta e 21% de hortícolas. “Alguns destes comportamentos, associados ao aumento dos níveis de sedentarismo, podem explicar a perceção de peso aumentado durante este período (26,4% da amostra)”, salientam os autores do estudo.

Relativamente à prática de atividade física, 60,9% reportaram níveis baixos, 22,6% disseram ser moderadamente ativos e 16,5% relatam níveis elevados.O estudo adverte que a prevalência de pessoas com níveis baixos de atividade física praticamente duplicou, quando comparada com estudos populacionais anteriores. Durante o confinamento, 53,6% dos inquiridos perceciona ter diminuído a prática de atividade física, 28% afirma ter mantido e 18,5% aumentado.

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