Médicos de família nos EUA podem ser forçados a encerrar consultório por causa do novo coronavírus

De acordo com um recente estudo desenvolvido por investigadores da Harvard Medical School, quebras muito significativas na procura de cuidados de saúde junto dos consultórios de médicos de família nos Estados Unidos da América (EUA), por causa da pandemia, estão a ter como efeito uma redução drástica dos rendimentos destes especialistas em solo americano, ameaçando mesmo a viabilidade dos seus consultórios (a esmagadora maioria dos médicos de família naquele país exerce em consultórios e clínicas privadas, com os atos médicos a serem pagos diretamente pelos doentes ou via reembolso por companhias de seguros).

Os investigadores determinaram que no período entre março e maio deste ano, um médico de família em horário completo terá perdido, em média, 65 mil dólares de rendimento, aferindo ainda que na globalidade os consultórios e clínicas perderão cerca de 15 biliões de dólares.

“Para muitos consultórios, em particular aqueles que servem populações mais vulneráveis e empobrecidas, estas quebras podem revelar-se catastróficas, forçando muitas unidades a encerrarem. Tal fenómeno pode enfraquecer o sistema de saúde norte-americano de uma forma dramática, num momento em que necessitamos que ele seja o mais robusto possível”, afirma um dos autores do estudo e docente afiliado do Harvard Medical School Center for Primary Care, Sanjay Basu.

Nas conclusões que apresentam, os investigadores sublinham também que a redução de rendimento será ainda maior se uma segunda vaga da infeção se concretizar em 2020 e se as taxas de reembolso por consultas feitas à distância (por telefone ou meios eletrónicos) regressarem aos níveis praticados antes da pandemia. Por outro lado, alertam para um segundo impacto, quiçá mais preocupante. Caso o número de consultórios a encerrarem portas se avolume, nos próximos meses, o problema crónico de escassez de oferta ao nível da Medicina Familiar nos EUA irá agravar-se.

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