Crispação entre António Costa e médicos encontra um fim… aparente

O Primeiro-ministro e os representantes dos médicos portugueses parecem ter enterrado por ora os machados de guerra, depois de dias de elevada tensão provocados por comentários menos abonatórios de António Costa sobre a atuação dos profissionais de saúde que prestaram assistência aos utentes do Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, infetados pelo SARS-CoV-2. Isto após uma reunião amena, de mais de duas horas, realizada em São Bento, com a presença de dirigentes do governo com responsabilidades nesta área (incluindo a ministra da Saúde) e vários representantes da Ordem dos Médicos (OM), entre os quais o seu bastonário, Miguel Guimarães.

“Queria agradecer ao Senhor Bastonário e aos dirigentes da OM a oportunidade e a franqueza desta conversa, espero que todos os mal-entendidos estejam esclarecidos e julgo que testemunhou aqui, de forma inequívoca, o meu apreço e consideração pelos médicos portugueses e pelo trabalho que desenvolvem”, afirmou António Costa após a reunião.

Já Miguel Guimarães garantiu que “o Senhor Primeiro-ministro transmitiu, de forma clara, o respeito e a confiança que tem pelos médicos portugueses, aquilo que espera dos médicos nesta época e sempre, mas com uma palavra também aos dirigentes da OM sobre a valorização do trabalho destes profissionais e de todos os profissionais de saúde”.

De recordar que ontem (dia 24 de agosto), o Fórum Médico (organização que congrega todas as estruturas nacionais representativas dos médicos e na qual se integra a APMGF) reuniu de emergência, produzindo no final uma nota de imprensa (leia aqui) em que era dada uma “uma palavra especial de solidariedade e agradecimento aos médicos de família e de saúde pública do Alentejo que prestaram cuidados médicos aos utentes do Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, que mesmo em circunstâncias extraordinariamente difíceis e sem abdicar de denunciar que os meios colocados à sua disposição no lar e no pavilhão não permitiam cuidar dos utentes com qualidade e dignidade, demonstraram um profissionalismo médico exemplar”.

A mesma nota repudiava “todas as tentativas de denegrir a imagem dos médicos, ainda mais quando as afirmações faltam à verdade sobre os acontecimentos” e recusava “alimentar confrontos que não servem os doentes, desviam as atenções dos problemas e atrasam os investimentos e reformas de que o Serviço Nacional de Saúde efetivamente precisa com urgência”.

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