Jornalistas e media assumiram posição em defesa da saúde pública e do confinamento

No decurso da sua conferência inaugural no 37º Encontro Nacional de MGF, «Estratégias de comunicação em tempos de pandemia», a comunicóloga, professora e investigadora da Universidade do Minho (UM) Felisbela Lopes apresentou os resultados de um inquérito que realizou junto de 200 jornalistas (diretores, editores e jornalistas redatores) de muitos órgãos de comunicação social nacionais, com vista a perceber se haviam modificado a sua atuação (do ponto de vista do agendamento de trabalhos, procura de fontes ou execução de notícias) durante o período pandémico e relativamente a notícias relacionadas com a COVID-19.

“Pela primeira vez em Portugal, desde o 25 de abril de 1974, os jornalistas assumem de uma forma completamente inequívoca que houve uma preocupação da sua parte em orientar comportamentos da população. Não o fizeram por opções políticas, mas sim porque quiseram orientar as pessoas em termos de prevenção da doença. Uma esmagadora maioria de 92% dos inquiridos garante que existiu essa preocupação”, esclareceu Felisbela Lopes na sua conferência.

Esta postura é tão mais significativa quanto se sabe que a produção dos media noutras latitudes foi bem diferente, como destacou a comunicóloga: “em síntese, podemos dizer que em Portugal o jornalismo foi um meio essencial para manter as pessoas em casa. Nos outros países – e pela análise comparativa que já tive a oportunidade de concretizar – não foi assim. Os media lá fora não assumiram esta questão como uma bandeira, particularmente em território europeu. Podemos dizer que estamos perante uma idiossincrasia do jornalismo português e se as pessoas se confinaram tão rapidamente foi, sobretudo, devido à vertente de serviço público assumida pelos media e jornalistas, que tantas vezes repetiram a frase «fique em casa»”.

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