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USF du Bocage é prova de que reforma pode prosseguir em tempos de pandemia

A Unidade de Saúde Familiar (USF) du Bocage, a funcionar no Centro de Saúde de São Sebastião, em Vale do Cobro (Setúbal), foi inaugurada no passado dia 1 de setembro, provando que a reforma dos cuidados de saúde primários (CSP) não necessita de ser «congelada», mal-grado as dificuldades suscitadas pela pandemia.

Esta unidade ocupa o primeiro piso do já mencionado centro de saúde, junto ao Bairro da Belavista, em Setúbal. Conta, para já, com uma equipa de seis médicos, seis enfermeiros e cinco secretários clínicos, que abarcam perto de 12 500 utentes, antecipando-se o alargamento a mais 3 400 utentes, quando forem colocados mais dois médicos, dois enfermeiros e dois secretários clínicos. “Estamos à espera do concurso para recém-especialistas, para colocar gente nova”, explica Figueiredo Fernandes, coordenador da unidade que aguarda também por uma mobilidade interna para fechar o seu quadro de médicos. De acordo com o coordenador, a equipa é uma mescla de juventude e experiência: “quatro dos colegas médicos atingirão o limite máximo dos 66 anos nos próximos seis a sete anos, mas os restantes médicos são jovens. Os clínicos que já arrancaram o seu trabalho na USF têm origem na UCSP São Sebastião e conhecem-se bem”.

Para acomodar a USF, foram realizadas pequenas obras e retificações de pormenor no Centro de Saúde de São Sebastião, em particular ao nível da remodelação dos gabinetes médicos, melhoria de acessibilidades (em especial no que concerne aos elevadores) ou adaptação de espaços para atendimento do secretariado clínico.

Devido à sua localização e por servir o Bairro da Belavista, a USF du Bocage abarca uma população com grande diversidade étnica e um elevado número de nacionalidades, circunstância que segundo o seu coordenador suscita desafios: “temos utentes originários de Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Timor, mas também do Leste Europeu e da América Latina, por exemplo. Pessoas com hábitos e comportamentos diferentes entre si, que vivem juntas no mesmo bairro, por vezes com choques próprios da multiculturalidade”.

Se no Centro de Saúde de São Sebastião existiam, segundo as estimativas, perto de 20 mil utentes a descoberto, a USF du Bocage permitirá incorporar cerca de 3500 destas pessoas sem médico de família atribuído, o que significa um importante alívio na pressão assistencial. Para já, a equipa de saúde desta nova unidade terá pela frente um trabalho de pedagogia significativo, como refere Figueiredo Fernandes: “a partir de agora, estes utentes terão consultas com marcação, realizadas a tempo e horas, bem como acesso a uma equipa de saúde familiar na íntegra (ao invés de somente um médico de família). É esta diferença que pretendemos que seja notória para a população, mas estas mudanças têm de ser explicadas. Já começámos, aliás, um processo de pedagogia, antes de mais verbal, mas também com recurso a flyers e futuras reuniões com a autarquia, juntas de freguesia, associações de moradores e culturais da zona. O nosso intuito é o de incentivar as pessoas a procurarem a consulta menos em quantidade e mais em qualidade”.

Para o coordenador da USF du Bocage, abrir portas em período pandémico não é um problema de fundo e nunca sequer foi colocada a possibilidade desta equipa adiar de modo voluntário a inauguração da USF: “a equipa estava constituída desde 2019 e estivemos para abrir a 31 de dezembro desse ano. Infelizmente, vigora um sistema de quotas para as USF e tal não foi possível de concretizar, por a quota de 2019 se encontrar preenchida. Depois, projetou-se a abertura para 30 de março, data que ficou sem efeito devido à COVID-19. Mais tarde, surgiu a possibilidade de a inauguração se realizar a 30 de junho, mas com as adaptações ao espaço físico atrasadas a abertura acabou por se concretizar apenas no início de setembro, mesmo que sem inauguração formal com representantes da ARS e do Ministério”.

Pese embora estes escolhos e um paradigma de atuação transformado pelo SARS-CoV-2, os profissionais nunca admitiram a hipótese de um retrocesso no projeto, reforça Figueiredo Fernandes: “sempre estivemos a trabalhar de acordo com as necessidades do momento. Temos a estrutura montada de forma a privilegiar as consulta por via telefónica, contactos por mail ou teleconsultas, mantendo um número diminuto de consultas presenciais, em situações de absoluta necessidade. Apurámos também o circuito para pedidos de receituário crónico e entrega de MCDT. Este era um esforço já vínhamos a fazer desde há algum tempo e que estamos a manter, pelo que de forma alguma a fase delicada que atravessamos, com a pandemia, colocou em risco a passagem para USF”

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