Consulta de dor em CSP é uma realidade alcançável

Embora a dor crónica seja um problema de saúde dos mais comuns entre a população portuguesa, ainda não possui, de forma generalizada, nos cuidados de saúde primários (CSP) consultas ou tempos específicos como acontece com a HTA, ou a diabetes por exemplo. No simpósio apoiado pela Grünenthal no 37º Encontro Nacional «O porquê de uma consulta de dor nos Cuidados de Saúde Primários», Raul Marques Pereira (médico de família na USF Lethes e coordenador do Grupo de Estudos da Dor da APMGF) apresentou alguns dados do estudo Chronic Pain Care, que mostrou como o panorama da dor crónica em Portugal merece efetivamente atenção. Este estudo envolveu 58 unidades dos CSP com recolha de dados durante mais de um ano, tendo demonstrado uma prevalência de dor crónica nos CSP de 33,6%, um elevado impacto da dor crónica em estratos etários mais jovens e um tempo médio de diagnóstico de 50 meses. “Cinquenta meses em média para diagnosticar dor crónica em CSP é muito tempo, é um valor que me assusta. Trata-se de um alerta de consciencialização”, advogou Raul Marques Pereira. Outro indicador significativo do estudo foi o do controlo da dor na perspetiva dos doentes. De facto, a investigação revelou que embora a esmagadora maioria dos doentes com dor esteja medicada, 62% afirma que o controlo da dor é insuficiente. “Não chega recorrermos à terapêutica mais sofisticada, às melhores e mais recentes normas clínicas, sem reavaliarmos continuamente o doente”, relembrou a este propósito o MF da USF Lethes.

Nesta sessão Raul Marques Pereira expôs também o exemplo da consulta de dor que coordena na USF Lethes e que, desde 2015, acumula mais de 2 mil intervenções, com base num protocolo de consulta que já foi apresentado e validado em congressos internacionais e que é revisto e atualizado pela equipa de dois em dois anos. Esta consulta tem hoje um tempo médio de resposta de 30 dias e está acessível a toda a população inscrita na USF Lethes.

“Neste momento, temos 70% dos doentes que passaram pela consulta a revelarem melhorias nas escalas de dor. Por outro lado, conseguimos perceber que o doente que passa por esta consulta recorre menos vezes ao serviço de urgência hospitalar, por motivo de dor. Parecia lógico que assim fosse, mas era fundamental avançar com esta medição para perceber se fazíamos a diferença”, declara Raul Marques Pereira.

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