Doença aterosclerótica representa 11% das despesas com saúde em Portugal

A sessão «Custos e Carga da Doença Aterosclerótica» atraiu uma parte significativa das atenções na jornada de trabalhos recheada do dia 26 de setembro, no 37º Encontro Nacional de MGF. O ponto de partida foi a exposição dos principais resultados do estudo «Custo e Carga da Aterosclerose em Portugal», uma iniciativa do Centro de Investigação de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) da Faculdade de Medicina de Lisboa e do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica, realizado entre 2018 e 2019, com base em dados de 2016. Um estudo que contou com a colaboração da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a qual permitiu o acesso ao registo de dados clínicos dos utentes dos cuidados de saúde primários.

O estudo estimou cerca de 15 mil óbitos por todas as manifestações da doença aterosclerótica para o ano de 2016, pouco menos de 200 mil anos de vida perdidos por morte prematura e aproximadamente 64 mil anos de vida perdidos por incapacidade.

Ao nível puramente económico, o estudo aferiu custos globais de internamento de 200 milhões de euros, 290 milhões de euros em ambulatório hospitalar não codificado em GDH, 233 milhões de custos nos CSP apenas na ARSLVT e 615 milhões de euros de custos nos CSP em todo o país. “Somados os custos diretos e indiretos da doença aterosclerótica, chegamos a um valor de 1,9 biliões de euros anuais, o que representa grosso modo 1% do PIB nacional e 11% das despesas com saúde”, adiantou na sessão Miguel Gouveia (professor da Catolica Lisbon School of Business and Economics).

Para António Vaz Carneiro, diretor do CEMBE, “este estudo comprova que há uma relação clara entre a morbilidade e a mortalidade associadas a uma doença e os custos na saúde e na sociedade”. Para o académico “é através de estudos destes que os decisores políticos podem decidir bem, desenvolver estratégias e aquilatar a efetividade das intervenções”.

Luís Pisco, presidente da ARSLVT, mostrou-se “muito satisfeito por dados provenientes da da ARSLVT terem sido utilizados neste estudo, já que os profissionais de saúde dos CSP, no decorrer da sua atividade, produzem muita informação que quase sempre é desaproveitada para investigação”.

Sobre os resultados propriamente ditos, o dirigente classifica o cenário apurado como “uma verdadeira enormidade, quer em termos de anos de vida perdidos, quem em custos. São dados assustadores!”. Para Luís Pisco, a investigação em causa vem em complemento reforçar como “é importante para nós, nos CSP, continuarmos a investir na prevenção em saúde. Temos é de ser profissionais na prevenção que fazemos e os médicos devem-se preocupar com a avaliação da efetividade das suas ações nesta área”.

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