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Conheça as propostas das candidaturas à liderança da APMGF!

Na sequência do debate on-line promovido pela Health News com a participação de representantes das duas candidaturas aos órgãos nacionais da APMGF para o triénio 2021-2023, os cabeças de lista das candidaturas Ser APMGF (Nuno Jacinto) e Nova APMGF (Rui Nogueira) expressam algumas das principais ideias que querem ver concretizadas em prol da Associação.

Quais são, no seu entender, os três principais desafios que a APMGF enfrentará nos próximos três anos?

Nuno Jacinto – Vivemos tempos conturbados e os próximos anos serão certamente difíceis. Os três eixos estratégicos do programa da lista Ser APMGF abordam precisamente os maiores desafios que a nossa Associação enfrenta:
– Inclusão de todos os médicos de família: A APMGF tem de ser mais participada, integradora, onde todos os colegas possam dar os seus contributos de forma ativa e válida. Deve promover uma aproximação interpares, no contexto da Associação, independentemente do contexto de exercício, grau de desenvolvimento profissional e área geográfica de ação. Temos de dar voz aos médicos de família.
– Reforço do desenvolvimento técnico-científico: Queremos apostar fortemente na investigação e na formação contínua de qualidade no âmbito da MGF, promovendo e facilitando os diversos projetos dos associados.
– Qualidade e segurança do exercício profissional: Agora ainda mais atual, a APMGF tem de defender intransigentemente a qualidade e segurança do exercício profissional dos médicos de família.
Para além dos 3 desafios estruturantes para o triénio, a pandemia trouxe um desafio emergente que necessita de respostas imediatas. Os médicos de família têm feito um trabalho extraordinário na linha da frente no combate a esta pandemia, mas urge encontrar soluções que permitam aliviar a carga burocrática e retomar a atividade assistencial não COVID.

Rui Nogueira – Reverter a sobrecarga assistencial, devolver o prestígio e a carreira aos médicos de família e ser uma fonte privilegiada de conhecimento para a nossa atividade.
A atividade do médico de família, já sobrecarregada, agravou-se na resposta à pandemia.
Vamos firmar uma nova métrica, para as listas de utentes sobre-dimensionadas, incluindo o contexto sócio-demográfico da população. Vamos defender a adoção de um programa de simplificação de tarefas, acabando com procedimentos desnecessários.
Trabalharemos a comunicação externa para nos devolver o prestígio junto das populações, com o contributo de excelência dos Grupos de Estudos. Iremos debater a carreira médica, logo a partir do Internato, acompanhando e auxiliando os associados.
A Associação deve ser um recurso lógico para dúvidas da prática diária, com disponibilização online de guias de atuação, vade-mécum, cursos de atualização…

Os eventos de formação científica e partilha de boas práticas foram alterados na sua forma e dinâmica pela pandemia de COVID-19. Qual é a sua visão para o futuro dos eventos promovidos pela APMGF?

NJ – A pandemia de COVID-19 veio acentuar ainda mais uma necessidade que já antes se fazia sentir: os eventos científicos têm de adaptar às necessidades atuais dos médicos de família, têm de responder às suas dúvidas e fornecer ferramentas que lhes sejam úteis na sua prática clínica. Apostaremos nos eventos online, com programas e conteúdos desenhados especificamente para este formato, envolvendo cada vez mais as Delegações e diferentes Grupos de Estudo na sua organização.
Tornaremos o Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família um evento autónomo, transformando-o num espaço de referência para os colegas mais novos. Valorizaremos as Escolas da APMGF através da diversificação de temas e da forma de lecionar, apostando quer no formato presencial, quer online.
Realizaremos uma verdadeira mudança ao promovermos a formação em diferentes áreas habitualmente pouco abordadas, tais como Governação Clínica e de Saúde, Organização e Liderança, Medicina Baseada na Evidência aplicada à prática clínica, Investigação e Qualidade.

RN – A pandemia obrigou a que eventos da APMGF mudassem, inesperadamente, o seu formato para online. A adversidade levou-nos à reinvenção. Este novo formato permite a disponibilização de conteúdos para visualização assíncrona e à distância, reduzindo custos e aproximando associados. Este acesso equitativo é particularmente importante para os colegas das regiões autónomas. Não obstante, o contacto presencial é importante e, assim que possível, deverá ser retomado, reforçando a rotatividade de eventos pelo país, com o apoio das Delegações.
Queremos terminar o mandato com núcleos locais, conforme previsto em Regulamento, ativos em todos os ACeS.
Para além disso, é interessante criar eventos formativos itinerantes de cariz operativo, reforçando efetivamente a proximidade aos sócios. Em suma, online e presencial, são duas metodologias que a NOVA APMGF incluirá nos seus eventos, em alternativa ou em paralelo.

Que benefícios adicionais conta oferecer aos sócios da APMGF, caso o vosso projeto seja validado nas urnas?

NJ – O primeiro benefício já antes foi referido: dar voz a todos médicos de família, tornando a APMGF numa estrutura descentralizada e fazendo com que a sua DN seja um corpo dirigente em que prevaleça o diálogo, recetivo à participação dos seus associados. Os Associados podem esperar, por isso, um outro estilo de liderança, uma liderança mais cooperativa e interativa. Todos aqueles que representaremos, terão oportunidade de fazer parte da vida associativa. Vamos reforçar e reformular os eventos da APMGF e queremos fomentar e divulgar ações de promoção da saúde na comunidade. Desenvolveremos parcerias com instituições e centros de investigação, criaremos bolsas de apoio à investigação e apoiaremos a divulgação de projetos relevantes nesta área. Pretendemos desenvolver uma plataforma de divulgação de estudos/ideias/projetos de investigação, para promover estudos multicêntricos, com a participação dos associados em projetos de grande abrangência e valor. Por último, mas não menos importante, envolveremos os médicos internos de MGF na participação ativa nas Delegações regionais e distritais, Grupos de Estudos e nas comissões organizadoras de eventos da APMGF.

RN – A NOVA APMGF, mais do que palavras ou intenções, oferece medidas concretas e dispostas em cronograma. O compromisso é, acima de tudo, real. É um projeto plural, que se concretizará ao manter e agregar novos sócios, pelas vantagens que pode trazer. A título de exemplo, ofereceremos:
– Proximidade através do reforço das Delegações Regionais e Distritais, e de Núcleos Locais. Queremos conhecer in loco a situação dos colegas, para que possamos guiar a nossa atuação de forma pronta e eficaz, criando sinergias;
– Prestação de serviços de provedoria ao sócio, com recurso ao Conselho de Ética;
– Apoio à Investigação (via Conselho Científico), p.e., com a criação da bolsa APMGF; com serviço de consultadoria em metodologia, estatística e ética;
– Apoio na gestão da prática clínica (edição de guias e formações);
– Apoio ao Internato Médico (via Conselho de Internos e Jovens Médicos de Família), fornecendo guias, simplificando procedimentos, ajudando no currículo, melhorando as condições de idoneidade formativa.
Tudo isto terá o superior contributo do Conselho Consultivo, criado para exponenciar a pluralidade desta NOVA APMGF.

Como projeta a atuação da APMGF no próximo triénio? Será uma Associação sobretudo de cariz científico, com pontuais intervenções na esfera da política de saúde, ou uma organização mais pró-ativa neste campo?

NJ – Uma das características diferenciadoras da APMGF é precisamente o facto de ter um papel técnico-científico mas também sócio-profissional. Não podemos descurar uma vertente em detrimento da outra. É absolutamente fundamental que primemos pela correção técnico-científica e ética em todas as ações. Entre outras medidas, vamos trabalhar para tornar referência as publicações da APMGF, promover a criação e publicação de consensos e de boas práticas clínicas. Iremos criar um grupo para divulgação de informação científica médica de alta qualidade destinada ao público em geral, um espaço de debate destinado a orientadores e formadores e alicerçar parcerias com Sociedades científicas nacionais e internacionais.
A vertente sócio-profissional irá também ter a nossa atenção constante. A APMGF necessita de reconquistar e reforçar o seu peso junto do público em geral e de outras instituições, colaborando regularmente com o Ministério da Saúde, Direção-Geral da Saúde, Ordem dos Médicos, estruturas sindicais, departamentos académicos e outras associações ou sociedades científicas.

RN – Indiscutivelmente, uma associação pró-ativa de cariz sócio-profissional e científico. A Medicina Geral e Familiar precisa de uma voz firme para pôr em prática um projeto forte, disruptivo face a políticas de usurpação das funções do médico de família. A NOVA APMGF conhece os parceiros institucionais e poderá veicular, da maneira mais eficaz, a vitalidade do sangue novo que a nutre.
Precisamos debater e implementar a nova métrica. Precisamos apoiar os colegas em realidades mais complexas. Precisamos apoiar a criação de mais USF e mais modelo B. Precisamos melhorar as condições de trabalho para diminuir as desvinculações. Tudo isto, no entanto, não invalida o cariz científico que daremos à APMGF, através de guias de atuação, reforço da Revista, criação do Conselho Científico, cursos online, apoio sólido à investigação, entre outras medidas.
O trabalho da APMGF conta com a experiência de alguns membros e energia irreverente de outros. Baseia-se numa estratégia cuidada, bem delineada com os Conselhos, em permanente diálogo com os Sindicatos Médicos e Sociedades Científicas.

O que pode e deve a APMGF fazer, para ajudar no relançamento da reforma dos cuidados de saúde primários?

NJ – O programa Ser APMGF é muito claro quanto a esta questão. A importância da APMGF deve traduzir-se na melhoria e evolução da organização dos CSP e das suas unidades funcionais, promovendo mudanças que garantam a sustentabilidade dos CSP. Logo à cabeça, temos o ajuste da dimensão das listas de utentes, a redução da excessiva burocracia, a defesa de uma carreira efetiva e progressiva, a realização atempada e célere dos diferentes concursos e a revisão do sistema retributivo, de forma a terminar com a desigualdade atualmente existente entre os diferentes modelos organizativos das unidades funcionais.
Temos ainda de contribuir para o desenvolvimento de soluções que permitam uma melhoria dos sistemas de informação, o reconhecimento do estatuto do orientador de formação em todas as Unidades Funcionais, o reconhecimento das USF e UCSP como centros de formação e ainda o reconhecimento das competências específicas dos médicos de família como docentes ou investigadores.

RN – É lamentável ter mais um ano com a Reforma suspensa. Este modelo beneficia de uma discussão ampla e integrativa, onde a Nova APMGF deverá ser líder e dar voz às opiniões dos colegas.
É preocupante a estagnação da progressão das unidades de saúde. Importa rever incentivos para colocações em unidades complexas, remuneratórios ou laborais, visando estabilizar o quadro médico nessas unidades. Coordenámos um projeto onde pelo conceito de Unidades Ponderadas e Ajustadas, queremos construir listas de utentes com dimensão gerível e adequada ao contexto sócio-demográfico e às tarefas adicionais do médico. Assim, poderemos usar tempos de consulta realistas, fazer a abordagem holística que nos carateriza e consequentemente, prevenir o burnout.
É igualmente essencial influenciar o desenvolvimento da carreira médica, com concursos de colocação e progressão, céleres e organizados.

 

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