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Vacinómetro mostra que mais de metade das grávidas ainda não estão vacinadas contra o vírus influenza

Já são conhecidos os dados da 2ª vaga do projeto Vacinómetro – que monitoriza a vacinação contra a gripe sazonal em grupos prioritários durante a época gripal 2020/2021. Esta informação foi recolhida através de inquérito telefónico, entre 18 e 23 de novembro, e dá-nos uma imagem clara da situação vivida em Portugal cerca de cinco semanas após o início da vacinação. Realce para a boa cobertura vacinal entre os profissionais de saúde (61,2%), com uma taxa superior em mais de 20% relativamente ao que ocorreu em período homólogo da última época vacinal. As notícias são também positivas no grupo das pessoas com idades entre os 60 e os 64 anos, no qual 34% das pessoas já se vacinou, valor superior aos 27,8% verificado em período equivalente da época 2019/2020. Contudo, registam-se taxas de vacinação menos satisfatórias entre os doentes crónicos (46,4% versus 52% em período equivalente da época 2019/2020) e entre os cidadãos com 65 ou mais anos de idade (57,1% versus 58,4%). De realçar que na população diabética estudada, 42,5% dos indivíduos já se vacinaram contra o vírus influenza nesta fase e entre os doentes cardiovasculares, 54,1% garantiu já ter recebido a vacina. O projeto avalia também este ano a cobertura vacinal numa amostra de 605 mulheres grávidas. Neste universo específico, apenas 44% das mulheres inquiridas asseguraram já ter recebido a vacina. Mais grave ainda, entre as grávidas não vacinadas, somente 20,9% demonstrou vontade de se vacinar no tempo que resta da atual campanha.

Através da análise dos motivos que levaram as pessoas vacinadas a fazê-lo, foi possível apurar que 48,3% avançaram nesse sentido por recomendação do médico, 33% no contexto de uma iniciativa laboral, 9,6% por iniciativa própria e 7,5% por saber que faz parte dos grupos de risco para esta patologia. Refira-se, ainda, que 92,5% dos vacinados já haviam sido inoculados em outros anos. Um total de 83,2% dos vacinados com idade igual ou superior a 65 anos receberam a vacina gratuitamente no seu centro de saúde, enquanto 8,5% receberam-na gratuitamente na farmácia e 5,5% compararam-na neste tipo de estabelecimento. A administração gratuita da vacina no local de trabalho englobou 2,8% desta amostra. Extrapolando estes números para a população nacional, é possível prever que entre mais de 1,6 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos já vacinadas, 965.634 tenham recebido gratuitamente a vacina no seu centro de saúde. Sublinhe-se, ainda, que entre os indivíduos não vacinados que foram auscultados 49,3% afirmaram que ainda pretendem adotar esta medida preventiva.

De acordo com o presidente da APMGF, Rui Nogueira, a situação relativamente à vacinação anti-gripal no presente é preocupante: “o plano de vacinação deste ano tem falhas claras e fica aquém do esperado, dadas as circunstâncias. Seria desejável aumentar a taxa de vacinação no grupo das pessoas com 65 e mais anos de idade, que nem sequer chega à taxa observada em 2019 (menos 1,4%, o que é equivalente a cerca de 17 mil pessoas). Seria também desejável aumentar a taxa nos doentes crónicos e concretizar uma aproximação de 100% nos profissionais de saúde. Tendo em conta a falha do plano na 1ª etapa (profissionais de saúde) e na 2ª (população em geral), deveria ser acionado um plano de recurso, para orientar com rigor a 3ª etapa”.

O Vacinómetro é um projeto de monitorização da cobertura vacinal, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), com o apoio da Sanofi Pasteur. Nesta época estão envolvidos na amostra do estudo 2641 participantes, residentes em todo o território de Portugal Continental e Regiões Autónomas dos Açores e Madeira.

 

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