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Estudo mostra que pandemia afetou doentes oncológicos com limitação de acesso a cuidados e grande impacto psicológico

De acordo com os resultados do estudo «COVID-19 e Cancro», desenvolvido pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), dois em cada dez doentes oncológicos e um em cada dez cuidadores ponderaram suspender, por iniciativa própria, os atos clínicos por receio de se dirigirem aos serviços hospitalares durante o período de pandemia. A pandemia COVID-19 parece ter tido algum impacto no acesso aos cuidados de saúde, na medida em que quase dois em cada dez doentes tiveram algum tratamento suspenso durante este período. Por outro lado, seis em cada dez doentes e oito em cada dez cuidadores sentiram medo do contágio por outros doentes ou profissionais de saúde, o que poderá condicionar a sua acessibilidade a cuidados de saúde adequados.

Já no que respeita à avaliação do impacto psicológico da pandemia nestas pessoas, o estudo apurou que sete em cada dez doentes e oito em cada dez cuidadores sentem-se de bastante a muitíssimo preocupados com a pandemia. Em acréscimo, entre 15% e 22% de cuidadores/doentes necessitaram de recorrer a medicação ou a apoio psiquiátrico/psicológico durante a pandemia e muitos inquiridos relataram que a pandemia lhes causou ainda sentimentos de tristeza, ansiedade, preocupação e isolamento, além de um acréscimo das responsabilidades laborais (principalmente em sobreviventes de cancro), das responsabilidades familiares (essencialmente em cuidadores) e maior preocupação com os tratamentos e evolução da doença, mais presente em doentes e cuidadores de doentes em fase ativa. Por último, refira-se que os cuidados a ter com as medidas de prevenção sanitária parecem interferir na vida normal de três em cada dez doentes e/ou cuidadores. Do ponto de vista do impacto socioeconómico, um número considerável de doentes e cuidadores (acima dos 20%) considera que a pandemia afetou, de algum modo, a sua vida a nível socioeconómico e um em cada dez doentes sentiu dificuldades em pagar as despesas familiares.

Este foi um estudo nacional, transversal, descritivo e inferencial, suportado por uma metodologia quantitativa, com o objetivo de avaliar a perceção do impacto da pandemia COVID-19 em vários domínios da vida de doentes oncológicos/sobreviventes de cancro e familiares/cuidadores. A informação foi recolhida através de um questionário elaborado pela equipa de psicólogos da LPCC e as respostas a este questionário foram obtidas através do website institucional, tendo sido cumpridos todos os pressupostos de proteção de dados. O questionário esteve disponível online entre os dias 2 de julho e 18 de novembro 2020 e a amostra foi constituída por 948 doentes oncológicos/sobreviventes de cancro e por 378 familiares/cuidadores, com mais de 18 anos e residentes em Portugal.

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