Capacitação do doente crónico e promoção da literacia em saúde são missões futuras relevantes para o MF

O 38º Encontro Nacional de MGF irá acolher uma mesa subordinada ao tema «Capacitação do doente crónico e literacia em saúde», cujo objetivo essencial será o de retratar a importância dos médicos de família na promoção da capacitação dos cidadãos a quem prestam cuidados, em particular os utentes que vivem com patologias crónicas. A sessão contará com participações de Julian Perelman (economista da saúde, investigador e professor associado com agregação da Escola Nacional de Saúde Pública – ENSP), Paula Broeiro (médica de família na UCSP dos Olivais) e Rita Correia (psicóloga clínica e vogal do Conselho Clínico e de Saúde do ACeS Lisboa Norte).

O membro da comissão organizadora do evento e responsável pelo planeamento desta mesa redonda, Mário Santos, sublinha que “os MF vão lidar no futuro com mais pessoas idosas e mais doenças crónicas”, pelo que obrigatoriamente “terão que aperfeiçoar aptidões clínicas, no apoio ao desenvolvimento de algumas competências dos seus pacientes, nomeadamente na prevenção e na autogestão da doença crónica”. Mário Santos acrescenta ainda que “para ajudar a capacitar os indivíduos para tomar decisões e ter um maior controle da sua vida, é necessário também promover a literacia em saúde”. Esta sessão, para além de abordar as competências necessárias a desenvolver nas pessoas, tenciona acrescentar à discussão a importância que os contextos de saúde, a educação, os fatores sociais e culturais em casa, no trabalho e na comunidade, têm na diminuição das diferenças em literacia em saúde, com tradução nos resultados em saúde.

Para Paula Broeiro, “os cuidados centrados na pessoa, suportados por trabalho colaborativo transdisciplinar, são a chave da mitigação da iliteracia em doentes com multimorbilidade”. Já Rita Correia acredita que “a capacitação e o aumento da literacia em saúde das pessoas com doença crónica implicam competências específicas por parte dos profissionais de saúde. A promoção da autonomia e da participação ativa dos doentes na gestão dos seus problemas de saúde não significa uma desresponsabilização dos profissionais face ao curso da doença. Muito pelo contrário, acarreta um aumento dessa responsabilização no lidar e no se adaptar aos diferentes níveis de autonomia de cada pessoa. Interessa saber a quem, quando, o quê e como capacitar”.

Na perspetiva da psicóloga clínica, o “processo de autonomização das pessoas com doenças crónicas não é linear. É um processo dinâmico, condicionado não apenas pelas competências já comummente conhecidas (cognitivas, comunicacionais, educacionais, sócio-económicas, entre outras) mas também pela fase do ciclo de vida, pelas características individuais e emocionais, pelas estratégias de confronto face ao stress mobilizadas. A dificuldade acresce se tivermos em conta que esta variabilidade não é só de pessoa para pessoa, mas também na própria pessoa, dependente do momento e do contexto em que se encontra”.

Para Julian Perelman, torna-se hoje em dia evidente que “existe forte evidência, nacional e internacional, sobre desigualdades em saúde. Sabemos que as condições de vida, o nível de educação, os rendimentos ou o capital social influenciam o risco de doença e de morte. Este fenómeno é transversal às doenças, aos locais e aos períodos temporais, como se tem demonstrado no caso da atual pandemia”. Assim, a apresentação do investigador da ENSP irá “focar esta evidência e as suas causas, assim como as principais políticas que têm sido implementadas no combate as estas desigualdades e a sua efetividade, com um foco particular no papel dos cuidados primários”.

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