Projetos inovadores são impulsionados no 39º ENMGF

Foram distinguidos no 39º Encontro Nacional de MGF três projetos de investigação inovadores. Cada um deles receberá um apoio pecuniário no valor de três mil euros e mentoria para o seu desenvolvimento, através de bolsas criadas em parceria pela APMGF e a Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB). A decisão sobre os três vencedores foi tomada na sessão «Vende-nos o teu projeto», durante a qual os cinco candidatos finalistas fizeram um pitch aos mentores, explicando os méritos e potencial futuro das suas propostas. Entre os vencedores esteve João Braga Simões, que apresentou em nome de uma equipa um projeto na área da adesão terapêutica entre os doentes crónicos que faz o melhor uso dos sistemas de informação e bases de dados das farmácias. “Ficámos felicíssimos com esta oportunidade. Não só pelo apoio dos três mil euros, mas acima de tudo pela mentoria, que no nosso caso será da AICIB e que sentimos que poderá fazer crescer este projeto e levá-lo para outra dimensão”, explica João Braga Simões. Com esta bolsa, o projeto, que foi pensado para responder às necessidades da doença respiratória crónica, “pode ser extensível a outras doenças crónicas que também carecem de uma vigilância similar, como sejam a doença psiquiátrica, a hipertensão ou a diabetes e para os doentes que não têm consulta regular com o seu médico ou que não têm até médico de família”.

Mafalda Proença apresentou uma proposta centrada nos auxiliares de decisão no âmbito dos cuidados de saúde primários (CSP) e considera “ser muito gratificante a existência deste tipo de oportunidades. Para o nosso trabalho, que está a começar, a bolsa é algo de muito bom, porque vai permitir a contratação de uma equipa que fará a transcrição das reuniões dos grupos focais, uma tarefa habitualmente dispendiosa. Por outro lado, a mentoria irá ser fundamental para solidificar a metodologia do trabalho, sempre no sentido de conseguir ter resultados com implicação na prática clínica”. Já Beatriz Frias Lopes e o seu grupo foram selecionados graças a um trabalho que visa avaliar a viabilidade, aceitabilidade e eficácia preliminar de um programa psicoeducativo para melhorar a abordagem da saúde sexual entre os médicos internos de MGF. Esta médica diz que foi com muita alegria que recebeu “a notícia de que as duas associações estariam disponíveis para financiar o projeto. Veio-nos dar um reforço positivo e comprovar que a investigação vale a pena e que é um campo em que devemos intervir, apesar de valorizarmos também muito a prática clínica”. Na ótica de Beatriz Frias Lopes, o apoio financeiro concedido será essencial para que o grupo “consiga publicar e obter uma estatística de melhor qualidade” e a mentoria, que ficará a cargo de Armando Brito de Sá, assegura “uma supervisão de peso e de muita experiência”.

A presidente da AICIB, Catarina Resende de Oliveira, recorda que “a investigação é a força motriz para melhores cuidados de saúde”, razão pela qual as instituições promotoras se juntaram para desenvolver o programa de bolsas. Em acréscimo, a presidente da AICIB considera “muito interessante que seja criada uma cultura de investigação que seja ela própria um estímulo aos médicos para a melhoria dos serviços de saúde prestados”.

Sindicatos médicos continuam a ser imprescindíveis no futuro do sistema de saúde e da MGF

Representantes da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) trocaram impressões numa mesa redonda do Encontro Nacional que procurou antever o papel dos sindicatos médicos na MGF do futuro. Carla Silva, da FNAM, sublinhou que apesar das dificuldades sentidas nas unidades de saúde e de algumas ameaças de desmobilização da classe, os sindicatos têm de se manter empenhados e insistir na mensagem de que “não é possível desistir”, sendo cada vez mais premente “capacitar e informar os médicos portugueses”. Relativamente à chamada bomba atómica da luta sindical, a greve, Carla Silva reconhece que este um recurso de última linha, quase sempre indesejável: “fazer uma greve é difícil para um sindicato, porque tal implica que as pessoas percam um ou vários dias de rendimento. Por outro lado, se conseguirmos ganhar a guerra na comunicação social é meio caminho andado para conseguirmos os nossos objetivos”. Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, lembrou que sem sindicatos médicos “não haveria SNS como o conhecemos, assim como carreira médica”, mas que a sua validade não se expirou no passado. Assim os tempos atuais também reclamam ação sindical enérgica na saúde. “Com a inflação este ano a chegar, previsivelmente, a valores perto dos 10%, é impensável estabilizar o SNS sem rever as tabelas salariais. Sem isto, não é razoável pensar que se pode segurar o SNS e os seus profissionais” defendeu o sindicalista.

Convite para a Conferência Mundial da WONCA 2025, em Lisboa, lançado no Encontro Nacional

A APMGF teve a honra de receber numa sessão especial do 39º ENMGF a presidente da WONCA (organização mundial dos médicos de família), Anna Stavdal, bem como o presidente do Movimento Vasco da Gama, o grupo de internos e jovens MF da WONCA, Nicholas Mamo. Os dois deslocaram-se a Aveiro para partilhar experiências com os colegas portugueses, explicar a atividade desenvolvida pelas suas organizações nas mais diversas frentes e endereçar um convite aos MF nacionais: estejam presentes na conferência mundial da WONCA em 2025, que se realizará em Lisboa e será organizada em parceria pela Região Europeia da WONCA e a APMGF. A presidente da WONCA mostrou-se segura de que os colegas portugueses serão capazes de organizar uma conferência memorável: “a APMGF tem a experiência, a capacidade profissional de organização e os recursos técnicos e humanos, pelo que conservo as mais elevadas expetativas em relação à WONCA 2025”. Na sua passagem por Portugal a médica norueguesa aproveitou ainda para enaltecer os valores chave e imutáveis da especialidade: “nunca nos devemos esquecer do que representa a MGF. Todos devemos contribuir para cuidados abrangentes e centrados na comunidade, verdadeiramente próximos e atentos às pessoas”.

 

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